Opinião

Conta de Serviços Mínimos Bancários: O que mudou?

Artigo da responsabilidade: dia (20-02-2018)

Com a entrada em vigor do Decreto-Lei nº 107/2017 a conta de serviços mínimos bancários vai passar a incluir novos serviços.

A conta de serviços mínimos bancários é uma conta à ordem que permite ao titular aceder a um conjunto de serviços bancários considerados essenciais a um custo reduzido.

Além da abertura e manutenção da conta de serviços mínimos bancários, o titular pode, sem custos adicionais:

– Dispor de um cartão de débito para movimentar a conta de serviços mínimos bancários;

– Movimentar a conta através de caixas automáticas, do serviço de homebanking e dos balcões da instituição de crédito;

– Efetuar depósitos, levantamentos, pagamentos de bens e serviços e débitos diretos;

– Realizar transferências intrabancárias nacionais, isto é, transferências para contas abertas na mesma instituição de crédito.

A partir de janeiro de 2018, a conta de serviços mínimos bancários passou a incluir também a possibilidade de :

– Realizar transferências interbancárias, isto é, transferências para contas abertas noutras instituições, através de caixas automáticas e do homebanking. Neste último caso, existe um máximo de 12 transferências interbancárias nacionais e na União Europeia, por cada ano civil;

– Poder movimentar a conta de serviços mínimos bancários através das caixas automáticas na União Europeia.

Quanto ao custo máximo cobrado anualmente, o mesmo também sofreu alterações e será calculado de forma diferente. Assim, o limite máximo das comissões, despesas ou outros encargos que, as instituições de crédito podem exigir pela prestação de serviços mínimos bancários passará a ser de 1% do valor do indexante dos apoios sociais.

Qualquer pessoa singular pode abrir uma conta de serviços mínimos bancários se não for titular de uma conta de depósito à ordem.

Excetuam-se as pessoas com mais de 65 anos ou com um grau de invalidez permanente igual ou superior a 60%.

Qualquer dúvida contacte-nos através do Portal do GAS ou para o seguinte email: gas@deco.pt. Presencialmente deslocando-se à nossa Delegação Regional Ribatejo e Oeste, sita na Rua Engº José Souto Barreiros Mota, nº 6   2000-014 Santarém.


Dia internacional da síndrome de Asperger assinala-se a 18 de fevereiro

Artigo de Opinião de Ana Machado, psiquiatra da UPPC

Dificuldade de relacionamento pode ser um sinal de alarme

A síndrome de Asperger consiste numa perturbação que afeta o desenvolvimento das capacidades de comunicação e de relacionamento de uma pessoa. Atualmente, esta perturbação atinge cerca de uma em cada duzentas pessoas, sendo mais frequente nos indivíduos do sexo masculino.

Desde a infância, as pessoas que sofrem desta condição neuropsiquiátrica apresentam dificuldades em se relacionar com o outro e comportamentos repetitivos, os quais podem gerar dificuldades em pequenas atividades do dia-a-dia. As dificuldades na interação social, que perturbam a criação de ligações afetivas, quer de amizade, quer conjugais, partem da dificuldade em interpretar comportamentos não verbais (expressão facial, gestos, modulação do discurso), e de se colocar no lugar do outro.

Além destes défices, indivíduos com síndrome de Asperger apresentam interesses restritos, muitas vezes com “ideias fixas” direcionadas a um assunto ou objeto em particular, e preferência por rotinas rígidas. Embora não haja atrasos no desenvolvimento da linguagem, é comum a presença de dificuldades na comunicação com os outros. Tendo em conta que interpretam tudo “à letra”, têm dificuldade em distinguir quando alguém está a falar a sério ou a brincar, e pouca facilidade em entender quando é que é a sua vez de falar numa conversa social.

As pessoas que sofrem desta perturbação apresentam-se também como indivíduos muito sensíveis aos estímulos, com reatividade a sons fortes, seleção de alimentos de acordo com cores ou texturas, e sensibilidade ao toque, à luz ou a cheiros intensos. É também frequente apresentarem inaptidão para atividades físicas e défices de coordenação motora, sendo muitas vezes descritos como “trapalhões”.

As primeiras alterações são habitualmente notadas pelos pais quando a criança começa a frequentar a creche ou a escola. Neste período surgem episódios de birras ou explosões de raiva quando as suas rotinas são alteradas e a criança tem dificuldades em brincar ou interagir com os colegas. Quando os sintomas são mais ligeiros, o diagnóstico pode ser feito apenas na vida adulta, sobretudo em etapas de vida que trazem mudanças importantes (fim do ensino secundário, primeiro emprego, morte dos pais ou de outras figuras de referência).

Não existem exames que diagnostiquem a síndrome de Asperger. A sua identificação é feita através de uma cuidadosa avaliação por profissionais treinados nesta área (pediatras do neurodesenvolvimento, pedopsiquiatras e psiquiatras). É importante fazer o diagnóstico atempado, pois isso permite uma intervenção imediata e direta sobre as dificuldades do doente, e planear um acompanhamento adequado na escola, no trabalho, na família, etc., de forma a promover ao máximo as potencialidades da pessoa.

Além disso, é frequente que as pessoas com síndrome de Asperger sofram de outras doenças psiquiátricas, tais como hiperatividade e défice de atenção, ansiedade e depressão. Caso isso suceda, é fundamental tratar simultaneamente essas doenças. Quando a família é chamada a participar neste plano de intervenção e cada elemento da família compreende o seu papel, é possível criar um ambiente facilitador da integração do doente no dia-a-dia.

Como tratamento para esta condição, a Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra (UPPC) dispõe de um programa de treino especializado para adultos com síndrome de Asperger, baseado na aquisição de estratégias para aplicação em situações sociais comuns, estratégias de comunicação, leitura de expressões emocionais e modulação do contacto visual e tom de voz.

A Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra tem por missão contribuir para o bem-estar da população através da oferta de cuidados de saúde, de atividades de formação e de investigação, na área da Psiquiatria e saúde mental, de acordo com padrões de referência internacionais. Para mais informações consulte: http://uppc.pt/


No Dia da Internet Mais Segura 2018, iniciativa europeia que arranca a 6 de fevereiro

Reflexões sobre os usos/competências/danos experimentados pelas crianças e o papel das famílias na socialização digital

ERC publica estudo Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs

No Dia da Internet Mais Segura 2018, iniciativa europeia que arranca a 6 de fevereiro, a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social disponibiliza ao público, no seu sítio eletrónico, o ebookBoom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs”.

O volume integra textos de especialistas e de profissionais nacionais e internacionais que refletem, em relação à sociedade portuguesa e a estudos realizados noutros países europeus, sobre o modo como as crianças mais novas estão a crescer em contacto com a tecnologia digital, os usos que fazem dos ecrãs, as competências e literacias que vão adquirindo, as situações de dano que podem experimentar e os modos como as famílias intervêm nessa socialização digital.

Este estudo constitui mais um contributo no âmbito da terceira edição do projeto da ERC “Públicos e Consumos de Media”, desenvolvida em parceria com uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa coordenada pela professora Cristina Ponte, e sucede à publicação Crescendo entre Ecrãs. Usos de Meios Eletrónicos por Crianças (3-8 Anos) (ERC, Fevereiro de 2017).

Recordamos que se tratou de uma análise pioneira em Portugal sobre usos de meios eletrónicos por crianças de 3 a 8 anos, baseada num inquérito nacional e na observação de 20 famílias com crianças que acedem à internet.

Segundo os resultados desse inquérito, 38% das crianças dos 3 aos 8 anos acedem à internet. O acesso cresce significativamente com a idade: 22% das crianças de 3-5 anos e 62% das crianças de 6-8 anos. Crianças de famílias com estatuto socioeconómico alto são as que mais usam a rede. Os principais usos desta tecnologia são lúdicos: ver desenhos animados e filmes, jogar jogos, ouvir músicas.

O título interrogativo do ebook que hoje se disponibiliza procura destacar a ambivalência entre usos e projeções de risco.

Apesar de mais de dois terços dos pais serem utilizadores da internet, o estudo evidencia que se preocupam muito mais com esta tecnologia do que com a televisão, meio a que a maior parte das crianças assiste todos os dias. Na internet, os educadores projetam ideias de risco associadas ao seu contexto cultural e ao consumo dos chamados meios tradicionais (violência, linguagem inapropriada e nudez), a que se soma a preocupação com os contactos com estranhos.

Para o Vice-Presidente da ERC, Mário Mesquita, «este estudo sobre os usos da televisão e das redes digitais pelas crianças, além de constituir um relevante contributo para as orientações da ERC, representa também uma proposta de reflexão que disponibilizamos às famílias e aos educadores. Registo a exigência e a qualidade da investigação elaborada por professores da FCSH da UNL, dirigidos pela Prof.ª Cristina Ponte, respondendo a solicitação da ERC».

Cristina Ponte, responsável pela coordenação científica do estudo, salienta que «na televisão os pais têm a sensação que controlam. Nos outros meios digitais sentem uma fragilidade nas suas competências de observação e controlo. Daí a importância de as competências digitais (…) fazerem parte de uma agenda de formação e informação parental e das próprias crianças, capacitadora de saber lidar com riscos e de tirar partido das oportunidades».

O estudo “Boom Digital? Crianças (3-8 anos) e Ecrãs” está dividido em sete capítulos:

O primeiro, da autoria de Ana Nunes de Almeida e Vasco Ramos (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa), intitula-se “As crianças nas famílias em Portugal” e aponta o lugar das crianças na sociedade portuguesa contemporânea.

O segundo, da autoria de Cristina Ponte, José Alberto Simões, Susana Batista, Teresa Sofia Castro e Ana Jorge (CICS.NOVA, da FCSH-UNL), tem por título “Educando entre ecrãs” e articula os resultados do trabalho de campo com os de estudos anteriores, junto de famílias de crianças mais velhas.

O terceiro, da autoria de Maria João Leote de Carvalho (CICS.NOVA, da FCSH-UNL), intitula-se “Crianças e meios eletrónicos em territórios socialmente desfavorecidos: um olhar sobre (outros) mundos da infância” e apresenta um olhar etnográfico sobre esses territórios a partir das vozes de crianças e suas mães e avós, onde se descobre a vontade de integração social pelo acesso e uso de meios digitais.

O quarto, da autoria de Andrea Basílio (RTP), intitula-se “Como o Zig Zag mantém o seu espírito na onda da convergência” e apresenta os desafios que se colocam à programação do serviço público de televisão para estas idades.

O quinto, da autoria de Nelson Zagalo (Universidade do Minho), tem como título “Jogos digitais na infância” e chama a atenção para fatores psicológicos que dão sentido ao fascínio das crianças pelo ato de jogar, em geral, e para diferenças entre géneros de jogos.

Os dois capítulos finais (“Conselhos para diferentes tipos de pais sobre usos de meios digitais” e “Intervenção parental sobre os usos dos média por crianças mais novas: o olhar da Holanda”) trazem contributos de investigadores europeus sobre estas temáticas e idades, privilegiando as dinâmicas das famílias e considerando as suas diferenças e necessidades de aconselhamento. Os seus autores são Bieke Zaman, Sofie Vandoninck e Marije Nouwen (Universidade Católica de Lovaina, Bélgica) e Peter Nikken (Universidade Erasmus de Roterdão, Holanda).

A ERC relembra que disponibiliza as bases de dados de todos os inquéritos “Públicos e Consumos de Media”, de forma gratuita, à comunidade académica e centros de investigação interessados.

Lisboa, 6 de fevereiro de 2018


Dia Nacional do Doente Coronário assinala-se a 14 de fevereiro

Artigo de Opinião do médico João Brum Silveira, presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC)

Mudança nos estilos de vida pode prevenir angina de peito

A angina de peito é causada pelo estreitamento ou obstrução das artérias que conduzem o sangue ao coração o que provoca uma diminuição dos níveis de oxigénio e nutrientes às células do músculo cardíaco. Essa obstrução normalmente resulta da formação de placas de gordura no interior das artérias (aterosclerose). A hipertensão arterial, o colesterol elevado, a diabetes, o tabagismo, a obesidade e o sedentarismo contribuem significativamente para aumentar o risco de sofrer deste problema de saúde.

Apesar da angina afetar mais frequentemente pessoas idosas, pode ocorrer em ambos os sexos e em todas as faixas etárias. A maioria das pessoas com angina queixa-se de sensação de aperto, queimadura ou opressão no peito, por baixo do esterno, mas pode também atingir a garganta, a mandíbula, as costas, os braços ou até mesmo o estômago. Esta dor pode ser acompanhada de falta de ar/dificuldade em respirar, suores, náuseas, tonturas, e mal-estar geral. É, geralmente, despertada pelo esforço físico e cede com o repouso ao fim de 5-10 minutos ou com a toma de um comprimido de nitroglicerina sublingual.

A angina de peito pode ser estável, quando a dor segue um padrão específico, surgindo na prática de atividade física ou na presença de emoções extremas; ou pode ser instável, quando os sintomas são menos previsíveis e o seu aparecimento ocorre em repouso, durante o sono ou com um esforço mínimo.

O seu diagnóstico baseia-se na história clínica do doente, na sua observação e na realização de exames complementares, como um eletrocardiograma (registo dos impulsos elétricos do coração que mostra indicações de uma artéria bloqueada) ou um ecocardiograma (visualização da estrutura e funcionamento do coração com recurso ao ultrassom). Pode ser necessário fazer um cateterismo cardíaco/angiografia coronária (uma série de radiografias das artérias coronárias) para confirmar a lesão das artérias do coração.

O objetivo principal do tratamento da angina de peito é aliviar os sintomas, diminuir a progressão da doença e reduzir complicações, especialmente, o enfarte do miocárdio.  Em situações mais graves, pode estar indicada uma angioplastia coronária. Este procedimento médico, realizado por um cardiologista de intervenção, consiste na colocação de um cateter fino na artéria obstruída, através do qual se introduz um balão que quando insuflado permite a abertura da artéria e o restabelecimento do fluxo sanguíneo. Na maioria das vezes, este procedimento é complementado com a colocação de um stent, um pequeno tubo de rede metálica que mantém o vaso aberto.

Para prevenir a angina de peito é importar adotar estilos de vida saudáveis: não fumar; reduzir o colesterol; controlar a tensão arterial e a diabetes; fazer uma alimentação saudável; praticar exercício físico; vigiar o peso e evitar o stress.

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) é uma entidade sem fins lucrativos. Para mais informações consulte: www.apic.pt