OPINIÃO – JOÃO VASCO ALMEIDA

(Publicado em: 8 Abril, 2019)

João Vasco Almeida, pai de dois putos e jornalista desde os 14, dirigiu e chefiou redacção como a revista Focus, jornal O DIabo, TV TOP e Ego, foi editor geral da TVI24 online e andou como editor, repórter e cronista nos 24horas, Tal&Qual, Visão, Diário de Notícias ou Selecções do Readers Digest. Correspondente em Portugal para a Folha de S. Paulo, Iberosphere, Mediapart e Investig’action, tem cinco livros publicados. É director da revista Karga! e Director da Editora Rossio.


COM ESTE FISCO NÃO HÁ LIBERDADE

 

por João Vasco Almeida

 

Paulo Macedo, hoje chefe da Caixa Geral de Depósitos, era director-geral dos impostos quando, muito contente por ter arrecadado bela maquia em taxas, mandou rezar uma missa pela boa cobrança. Deus, que percebe disto pela dízima, aceitou a aberração através dos seus representantes no planeta.

 

Hoje sabemos que os grandes fiscais dos tributos cidadãos, em euros, recebem prendinhas se rosnarem ao contribuinte até este, esbulhado, entregar a bolsa e a vida.

 

A Autoridade (Tributária) não olha ao rendimento do cidadão a cobrar, nem se a vida lhe correu mal, nem sequer se tem para comer depois da cobrança, da penhora e do processo.

 

Para o Sheriff de Centeno vale tudo: cobrar portagens a 600 euros, pois lá se agrega multa, juro de mora, processo, penitência pelo pecado… Vale penhorar casas por causa do selo do carro não pago, ainda que o carro não ande e esteja sem motor na garagem, vai para dois anos.

 

O inefável Fisco é uma nova censura, menos invasiva fisicamente, mas mais atroz no que toca à vida do cidadão. Tem toda a arte de nos levar à loucura com a sua insistência em cartas e cartinhas de coisas que já cobrou ou que ameaça, em linguagem de guerra, cobrar.

 

A Autoridade (Tributária) é uma madame numa casa sem prazer. Transforma uma coisa boa – pagar impostos e contribuir para o bem maior de todos -, num desprazer, por vezes desesperante.

 

Entendamo-nos: no mundo capitalista em que estamos mergulhados a liberdade conta-se, infelizmente, pelo dinheiro que se tem. Ao ser dado ao Fisco o poder de nos tirar liberdade em forma de coercivas sevícias sem apelo, este transforma-se na pior polícia de todas. Tira o dinheiro, menoriza a dignidade, expõe a vergonhas o cidadão, explora os mais fracos de forma diferente que banaliza os mais ricos.

 

Megera inconformada, a Autoridade (Tributária) não é humanista nem social. E se querem pior falha desta Geringonça que juntou quatro partidos “à esquerda!”, é esta. A de não parar o apetite fiscal, doa a quem doer. E dói, mas normalmente dói a quem já não tem carne, apenas osso a roer.