Seis investigadores para seis olhares sobre a história do concelho do Cartaxo

(Publicado em: 14 Outubro, 2016)

Seis investigadores de várias gerações levaram a história do concelho ao Colóquio Cartaxo, História e Memória, que decorreu no Centro Cultural do Cartaxo (CCC), no passado dia 8 de outubro. Integrado no Programa das Comemorações do Bicentenário do Concelho, o Colóquio esgotou o auditório do CCC.

Durante o Colóquio foi apresentado o livro O Cartaxo dos Finais do Século XIX ao Fim da 1.ª República, 1870-1933, resultado do trabalho de investigação de Ana Carina Azevedo, Pedro Gaurim Fernandes e Vânia Sousa.

A obra pretende realçar alguns dos momentos que marcaram a ascensão do republicanismo e os anos da I República, no concelho.

Seis investigadores para seis olhares sobre a história do concelho

Rogério Coito, historiador e investigador com várias obras editadas sobre a história do concelho, levou ao Colóquio o tema Quadros de um Tempo Antigo – O Cartaxo antes de ser concelho. De Lugar Ermo a uma vila próspera. Com o entusiasmo de quem conhece em pormenor os factos mas também as estórias que fazem a história do concelho, Rogério Coito abordou aspetos do percurso e dos feitos da população, alguns sangrentos, até à desanexação de Santarém e à instalação na Casa da Câmara, da primeira governação camarária.

O Cartaxo e a Batalha de Almoster, foi a abordagem escolhida por António Filipe Rato, para refletir sobre os anos que sucederam a elevação do Cartaxo a concelho. O historiador abordou a história local a partir de 1828, com a restauração absolutista de D. Miguel e todas as suas consequências para o concelho do Cartaxo – desde a instalação das forças miguelistas em Santarém, a par do centro das forças militares liberais também aqui estar localizado, passando pelo papel de figuras locais como Dâmaso Xavier dos Santos.

Maria Zelinda Pêgo, historiadora que viu publicado, no âmbito das Comemorações do Bicentenário do Concelho, a livro Pontével, História, Arquitetura e Urbanismo, centrou a sua apresentação na investigação e estudo que tem vindo a fazer sobre a vila de Pontével. Na comunicação Pontével através dos tempos, Maria Zelinda Pêgo abordou a história da vila, propondo aspetos da sua arquitetura, ou evidências materiais e imateriais de como se desenvolveu do ponto de vista social e económico, como pontos de partida para o conhecimento não só da povoação, mas das gentes que ali viveram ao longo da história.

Cartaxo, notas sobre a sua História, foi o tema que serviu de fio condutor à apresentação de Miguel Montez Leal, historiador que preside à Comissão Organizadora das Comemorações dos 200 Anos de Elevação do Cartaxo a Concelho. Propondo uma viagem ao passado do Cartaxo, desde os primeiros passos da sua história, até ao século XIX, o investigador analisou o desenvolvimento da localidade, os seus momentos mais marcantes, assim como, o papel de figuras e personalidade, nesse desenvolvimento. A política, a organização social, o urbanismo e a arquitetura, foram também abordados por Miguel Montez Leal, que frisou o papel relevante do Cartaxo nos momentos mais importantes da história nacional.

Dois dos autores do livro O Cartaxo dos Finais do Século XIX ao Fim da 1.ª República, 1870-1933, Ana Carina Azevedo  e Pedro Gaurim Fernandes, trouxeram ao colóquio duas visões sobre o período da I República.

Ana Carina Azevedo abordou os anos que medeiam entre 1870 e 1933 – A ascensão do republicanismo e a I República no Cartaxo. História e Memória. Destacando a riqueza da história do Cartaxo neste período e alertando para a necessidade de preservação das suas fontes históricas, materiais e imateriais.

Pedro Gaurim Fernandes escolheu A Arquitetura do Vinho no final da monarquia e na Primeira República. Identificar, proteger, promover, como tema da sua apresentação. Com base no trabalho que desenvolveu para o livro, o historiador falou do património que considera em risco de desaparecer, identificando o que ainda existe no Cartaxo e destacando a necessidade da sua preservação.