Opinião/2022 Joaquim Palmela Maio 3, 2022 (Comments off) (147)

Opinião – Vereadores ou vendedores?

Sou um seguidor habitual do Poder Local em Portugal e em particular do concelho de Benavente onde nasci, cresci e vivo. 

Ao ler as atas ou ver os vídeos das sessões públicas da Câmara Municipal de Benavente fico com a ideia de que os vereadores e presidente aproveitam o período da ordem do dia para seduzir os eleitores. 

São frequentes os elogios a todas as organizações com repetidas felicitações em que todos dizem o mesmo com palavras semelhantes.  

Qualquer evento que tenha o apoio da CMB é noticiado como um tremendo êxito, sem critérios de ponderação e de proporcionalidade. 

Na sala estão contratados e avençados para fazer a amplificação da mensagem na comunicação e nas redes sociais. 

Há uma figura na comunicação que é a Nota de Imprensa que serve para divulgar informação pelos canais normais. 

Ao ouvir o vereador Hélio Justino recordo o tempo em que era meu colega na Rádio Iris e fazíamos o programa Fora das 4 Linhas, entre outros. Com o mesmo tom coloquial e a voz colocada de há 25 anos, o vereador da CDU intervém sistematicamente para dar um conjunto de notícias retardadas com o cunho pessoal.  

O objetivo é publicitar os efeitos do trabalho das maiorias comunistas e associá-lo a todos os sucessos seja de cantores, atletas, bailarinos, toureiros ou artistas das mais variadas áreas. 

Na prática a CMB marca a sua posição para tirar partido dos apoios que estão protocolados.  

É verdade que no concelho de Benavente, a maioria das associações depende da CMB como de pão para a boca. Esta subsidiodependência deixa as associações reféns do poder político e sem a autonomia desejável. 

Sinto isso, quando algumas associações recusam apoiar missões humanitárias a favor do povo ucraniano com o argumento de que “o Senhor Presidente não iria gostar da ideia”. 

Como munícipe e cidadão gostaria que o Senhor Vereador Hélio Justino, que tem os pelouros das obras e urbanismo, falasse dos atrasos na emissão de licenças ou na perda de receitas das taxas de urbanismo por inoperância e ineficiência. Do trânsito e da falta de mobilidade. Ou da higiene e limpeza no espaço público. E até podia dar uma explicação sobre os 100 mil euros que gastou nas bicicletas há mais de cinco anos e das quais nunca vimos a cor a não ser nas fotos.  

Nelson Lopes 3 de maio 2022

 Opinião – Nelson Lopes  – Jornalista desde 1990. Gestor de Comunicação