A Conversa nas Redes Sociais sobre a Limpeza do Espaço Público no Cartaxo

(Publicado em: 3 Julho, 2020)

Sem poder retornar a essa «conversa», por falta de domínio das redes, ditas, “sociais”, acompanhei há uns dias uma troca de opiniões, por sinal muito educada e sem qualquer exaltação, contrariando o que normalmente oiço sobre as opiniões expressas naquelas.

Tratava-se do estado dos jardins e dos espaços públicos.

Havia alguém que sugeria o aumento de funcionários afetos aos jardins, outros opinavam sobre a organização dos serviços, alguém sugeria tratar-se de competências pessoais… enfim, opiniões que deveriam fazer refletir os gestores autárquicos, quanto mais não fosse, para avaliarem o resultado do trabalho de quem tem por função profissional, tratar dos espaços de que todos os munícipes podem usufruir: públicos!

Sem ser exaustivo, que a memória não ajuda, algumas opiniões referiam a falta de civismo dos cidadãos: a educação tem as costas largas!

Não deixa de ser verdade, mas levante lá a mão quem nunca deu um pontapé numa planta, quem nunca cuspiu para o chão, quem nunca pronunciou uns impropérios em alta voz…

Outros lembravam a escassez de funcionários camarários.

Também em o seu quê de verdadeiro: o quadro de pessoal da Câmara tem as suas limitações, a acrescentar às férias e folgas, às doenças e filhos…

No meio de toda aquela troca de mensagens, saltou-me uma opinião (que por acaso rematou toda a conversa) que sugeria uma intervenção dos cidadãos. Já lá vamos.

A este propósito, recordei-me de uma ação internacional, levada a cabo há pouco mais de 10 anos, que, apenas em Portugal, retirou das florestas cinquenta mil toneladas de lixo, tendo juntado cerca de 100.000 voluntários. Inspirado no projeto “Let’s Do It 2008”, da Estónia, o Movimento Limpar Portugal, conseguiu mobilizar a sociedade e contou com a participação do Presidente da Republica de então, ministros, autarcas… dos meus pais, dos meus filhos, de alguns alunos meus… Associações, grupos informais, vizinhos.

Só no Cartaxo, mais de 600 voluntários limparam quase todas as lixeiras ilegais: um deles, postou opinião naquela «conversa».

Voltemos então ao Facebook:

Sugeriam os participantes naquela, que a limpeza e manutenção dos espaços públicos fosse assumida pelos condomínios.

Ao Município, propunham a contrapartida de uma redução nos impostos, por exemplo no IMI.

Enfim, uma medida que compensaria os munícipes, a quem se reservariam duas opções, segundo os seguidores do grupo: ou pegavam na enxada e faziam o trabalho, o que até dava um ótimo exercício físico ao ar livre e um bom pretexto para conviverem; ou contratavam uma empresa que se encarregasse desse serviço, e pagavam.

Boa! Pelo menos não tinham com que se queixar, a não ser, deles próprios.

Pode parecer ingénuo, pode ser utópico, mas uma excelente ideia… nasce sempre de uma valente”idiotice”(já lá dizia alguém, com créditos algures, certamente).

Bem hajam!

Mário Reis

Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével, Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo e Dirigente associativo dedicado ao teatro