Opinião/2022 Joaquim Palmela Junho 6, 2022 (Comments off) (221)

A Feira está cara  

Bem vindo ao futuro é o lema da 58ª Feira Nacional da Agricultura/ 68ª Feira do Ribatejo. A inovação está presente lado a lado com as memórias de uma feira a que nenhum português passa indiferente. 

Ir à FNA é uma aventura que pesa no orçamento familiar. Lurdes e André têm três filhos. Dedicaram o domingo a visitar a FNA em família. Levaram 150 euros na carteira, mas não chegou.  

Só para o almoço foram 120 euros e quando quiseram levantar dinheiro no Multibanco, cerca das 18h00, já não havia uma única nota disponível. 

Ou o dinheiro era pouco nas caixas, ou os visitantes levantaram muito.  

Não deixa de ser caricata a seca das caixas ATM, estando a maioria dos bancos representados na feira a fazer propaganda da venda do dinheiro ao preço da uva. 

Numa feira inovadora ainda há espaços que só aceitam dinheiro vivo como acontecia em 1954 quando se realizou a primeira feira. 

Será para contornarem um fisco que lhes come as margens de lucro? Há comerciantes que não querem deixar rasto do dinheiro que arrecadam e carregam em sacos plásticos para os cofres sem passar pelos bancos. 

A FNA é um bom exemplo da economia paralela portuguesa e do país em que vivemos. Apregoamos inovação, rigor, estratégia e continuamos a agir como há 68 anos quando Celestino Graça e seus pares organizaram a primeira Feira da Agricultura em Santarém com uma qualidade notável para a época.  

Uma verdadeira Feira do Ribatejo que reuniu mais de uma centena de genuínos campinos em representação das casas agrícolas.  

Só por curiosidade a vencedora foi a Companhia das Lezírias que ainda mantém a tradição de participar na feira com inovação, mas sem perder a memória de uma empresa com sede em Samora Correia há 186 anos. 

E a memória é imprescindível para construir o Futuro! 

Opinião – Nelson Lopes  – Jornalista desde 1990. Gestor de Comunicação