Opinião/2022 Joaquim Palmela Maio 11, 2022 (0) (135)

Opinião – Bombeiros Voluntários até quando?

Ser Bombeiro Voluntário é uma das missões mais nobres que qualquer cidadão pode ter. Deixar a família e o conforto do lar para salvar uma vida ou apagar um fogo é um ato de coragem. 

Em Portugal, diria que para se ser bombeiro voluntário, é como ser forcado, tem de se ter uma certa loucura, mas saudável. 

Os bombeiros voluntários continuam a ser o parente pobre do Sistema Nacional de Proteção Civil. Ainda há voluntários que levam a marmita para comer durante os períodos de serviço de voluntariado. 

Ainda há corporações que pedem à população água, leite e alimentos sólidos para os bombeiros levarem para os fogos. Como se os bombeiros fossem uns pobres coitados dependentes da compaixão e misericórdia. 

Todos sabemos que a maior parte das corporações de bombeiros tem dificuldade em atrair voluntários. O Estado não criou incentivos e alguns comandantes colocam nos voluntários o mesmo grau de exigência que põem nos profissionais. 

Um bombeiro tem de estar preparado para a sua missão a todos os níveis: físico, mental e emocional.  

Como é que alguém que faz dois turnos num mês pode estar preparado ao mesmo nível dos que integram as Equipas de Intervenção Permanente como profissionais e estão no terreno todos os dias? 

As associações de bombeiros investem rios de dinheiro na formação, nos equipamentos de proteção individual, sabendo que podem contar com o voluntário duas noites num mês? E o voluntário irá seguro para o teatro de operações, quando não treina em cenário real?  

Com o maior respeito e gratidão por todos os voluntários, a vida que temos não permite continuarmos desta forma e com este modelo por muito mais tempo.  

É urgente investir na profissionalização dos bombeiros e tratá-los como profissionais de carreira. Para tal teremos de garantir uma remuneração justa face à exigência e ao risco da profissão.  

Com salários adequados poderemos exigir a exclusividade. Ter bombeiros a 100% no corpo de origem.  

Evitaremos que bombeiros a quem a associação patronal paga a formação, segurança social, seguro e outros direitos tenham outros empregos, negócios, avenças ou biscates. Alguns de duvidosa legalidade e sem a ética que se recomenda a um bombeiro.  

 Opinião – Nelson Lopes  – Jornalista desde 1990. Gestor de Comunicação

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