Opinião/2022 Joaquim Palmela Abril 13, 2022 (Comments off) (274)

Opinião – Mário Júlio – Caravana Pela Justiça Climática

Na reta final da minha vida, tenho duas netas, de 3 e de 8 anos de idade.

São as meninas mais lindas do Mundo: palavra de avô!!

Nos meus 20 anos, não pensava nelas, claro, mas (agora que prescreveu há tanto tempo posso confessar) andei a arrancar as plantas de eucaliptos que plantavam no Ripilau… com que se destruiu a maior mancha de pinheiros mansos e sobreiros do Cartaxo, com o beneplácito do poder e com o ativismo das opiniões de café.

De guerra em guerra: Almaraz, barragem do Tua, organismos geneticamente modificados, nemátodo do pinheiro, eis que chego ao meio dos sessentas, com a crise climática.

Porém, qual «burro teimoso do prior», o conhecimento que temos hoje sobre as causas que levaram às alterações do clima, é mais do que suficiente para avançarmos para uma nova visão do mundo alavancada por um optimismo realista, alicerçado na solidariedade, no conhecimento, na informação, na justiça e nas práticas que nos permitirão individual e coletivamente avaliar e implementar as soluções que já existem e encontrar outras, novas e melhores soluções.

Perante este panorama, algumas organizações de base humanista e ambientalista, procuram responder ao desafio de ir ao encontro de um novo sonho que só acontecerá se for partilhado por muitas pessoas, motivadas pela energia que nos devolve a satisfação de fazer a nossa parte e a coisa certa, participando activamente, dignificando a inteligência e a solidariedade humanas, fazendo a nossa história.

Organizamos a Caravana pela Justiça Climática procurando, através da força das populações, insurjir-se contra a irresponsabilidade, a impunidade, a manipulação e a ganância de um sistema capitalista, responsável pela degradação dos ciclos ecológicos que sustentam a vida e que são sustentados por ela.

A crise climática é o tempo das nossas vidas. Enquanto empresas e governos repetem fórmulas esgotadas para políticas insuficientes, a degradação do clima destrói o nosso futuro colectivo. Cheias, secas, tempestades fora de época, subida do nível médio dos oceanos, sua acidificação e alteração das complexas correntes marítimas, incêndios florestais, libertação do metano pelo degelo das regiões árcticas, perda irreversível da biodiversidade e degradação do ar, dos solos e das massas de água são a consequência directa de escolhas deliberadas tomadas nas últimas décadas pelo aparelho produtivo e pelo poder político a nível global.

O que os poderosos do sistema querem, é continuar comodamente instalados enquanto nos convidam a imitá-los, martelando que “o céu é o limite” e que “todos os sonhos são possíveis”, bastando para isso que “lutemos” por eles. Enquanto isso, a realidade vai-nos obrigando a cumprir a função social de “pescadinha de rabo na boca” – trabalhar para consumir e consumir para trabalhar – embalados pela propaganda que instala a ditadura das convicções que nos leva pelo caminho do pensamento único para alcançar um futuro melhor – o da exploração e do crescimento económico infinito.

De 2 a 16 de abril Vamos Construir O Nosso Caminho.

A Eco-Cartaxo participa na sua organização da Caravana, e com o Movimento Ecologista do Vale de Santarém e o Movimento Ar Puro de Rio Maior, assegura o

percurso que, nos dias 15 e 16 de Abril, levará a Caravana desde o Vale de Santarém até à Azambuja de onde partirá para a etapa final que terminará em Lisboa.

Para saber mais, consulte www.caravanaclima.pt

Nota: em itálico texto retirado do Manifesto da Caravana Pela Justiça Climática.

Opinião – Mário Júlio