Opinião/2022 Joaquim Palmela Janeiro 12, 2022 (Comments off) (569)

Opinião – La Salette Marques – Cartaxo menos deprimido

O Cartaxo começou 2022 ainda com o mesmo estado de espírito com que saiu de 2021:

Muitas queixas sobre o estado do comércio (agora pior por causa da pandemia), muito buraco pelas ruas e estradas, muitas ervas por mondar nos passeios, ecopontos a deitar por fora, casas a cair e muros por caiar, jardins desarranjados… E depois há os serviços: são poucos e funcionam mal… E a Câmara Municipal falida… Quem passa pelas redes sociais consegue notar que, nas veias de muita gente cartaxeira, já corre quase só um veneno que põe as pessoas a dizerem mal de tudo e a dispararem para o insulto à segunda palavra que escrevem: por tudo e por nada há culpas a atribuir, quase sempre às mesmas pessoas.

Toda esta conversa faz parte de uma ladainha que, no mínimo, devia colocar o Cartaxo no sofá do psiquiatra, tal não é a depressão que afeta esta terra! É uma depressão que lhe tira a alegria de viver, o brio, a cortesia e a hospitalidade que sempre caracterizou esta terra. Creio que o novo Presidente da Câmara Municipal terá percebido este estado de espírito e talvez essa perceção tenha contribuído para o inspirar no artigo com que nos brindou há dias no Diário de Notícias, onde traça um retrato elogioso da nossa terra, percorrendo o concelho e as suas atividades com verdadeiro amor ao Cartaxo e à sua população.

É com muito gosto que lemos um Chefe de Executivo autárquico a puxar pelos valores da terra, procurando com isso afastar o tal estado depressivo e aproximar os de fora, afirmando acreditar no enorme potencial do Cartaxo. Para título, o Dr João Heitor escolheu a expressão “Porquê o Cartaxo? Investir, viver e visitar”. Percorreu as extraordinárias acessibilidades do Concelho, a par da excelente localização geográfica, próxima da capital; falou dos fundos do Portugal 2030, que vão beneficiar este concelho e que não estarão acessíveis à Área Metropolitana de Lisboa; falou das paisagens, do rio e da lezíria, das searas de tomate e das vinhas; falou da gastronomia e do cuidado com as pessoas; da competitividade da mão-de-obra altamente qualificada presente em ambiente rural; falou de positividade e da importância do Plano de Recuperação e Resiliência; terminou reconhecendo o atraso em vários níveis de desenvolvimento económico e social, mas sublinhando a ambição de transformar.

De facto, já é um começo. É de mensagens positivas que o Cartaxo precisa e mensagem mais positiva não podia haver. Mas do Presidente do Executivo da Câmara Municipal espera-se um pouco mais. Espera-se que diga como vai transformar o Cartaxo e em quê. Espera-se uma estratégia de crescimento e desenvolvimento.

João Heitor tem a grande ambição de fixar empresas no Cartaxo. Por isso fala em investir. É uma grande e boa ambição, porque as empresas geram emprego e riqueza e fixam população, desenvolvendo os territórios. Mas para acontecer, só a ambição não chega. É preciso saber o que fazer e como fazer.  O Orçamento Municipal foi aprovado e nem uma palavra sobre o assunto. Li com pressa este artigo, à procura das respostas que me faltaram no Orçamento. Não encontrei.

Bem sabemos que o Executivo ainda mal teve tempo para aquecer a cadeira, mas tem um programa eleitoral para cumprir, aquele que mereceu o voto dos eleitores do Cartaxo. Começa a ser tempo de dizer como tenciona fazer!