Espaço de Opinião – Mário Reis – “O PAI TIRANO”

(Publicado em: 12 Junho, 2020)

Mário Reis:  Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével

Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo, Dirigente associativo dedicado ao teatro

O PAI TIRANO

O Governo da Nação é o pior exemplo de PAI que se pode utilizar nos anais da educação parental: perante uma grave necessidade dos seus FILHOS, reforça-lhes a semanada, mas cobra como dívida, acrescida de juros, nas semanadas seguintes.

Eu sei, por experiência própria, que EDUCAR é assim uma atitude para a qual não basta ler, não chega ouvir, não é suficiente a frequência de cursos e, nem sempre o senso é capaz de resolver todas as questões…

Quanto ao resultado da EDUCAÇÃO, ensinaram-me muitos anos dessa vida, que para além de todo o amor e de todos os atos técnicos impecáveis, sustentados nas mais profundas reflexões, a sorte, ou a falta dela, são determinantes nos comportamentos futuros do EDUCADO… havendo até quem fale em «destino».

Pois é, face ao brutal resultado do confinamento social na economia local, o Governo da Nação, «empapoila em arco» com uma moratória no pagamento da dívida dos Municípios que, como o Cartaxo, aceitaram o acordo de pagamento da sua dívida pelo Fundo de Apoio Municipal.

Vai daí, tal pai adia, atrasa o pagamento da dívida, porém como se trata de um pai tirano divide o capital em dívida pelos próximos 27 anos e, merecendo o epíteto de soberbo, cobra os juros que resultam do alargamento do tempo para o pagamento desta dívida.

Que sacanice!

Isto é, nos próximos 27 anos a fatura anual aumenta 55 mil euros, decorrente da amortização do capital de 2020, relativo ao empréstimo de assistência financeira, acrescido de 29 mil euros por ano de juros, pasme-se!

O tal pai algoz, nem reconhece que o Município, acompanhado de todas as forças políticas e demais parceiros, lançou mão de um plano de recuperação económica e de proteção social, com medidas concretas de apoio a famílias, empresas e instituições, que decorre dos prejuízos sociais e económicos que a pandemia e o confinamento agravaram.

Olhe: bem haja!

Que pela nossa parte, já abordamos os partidos políticos com assento Parlamentar, que compõem a CDU, no sentido de se poder beneficiar de um perdão da dívida, face à aplicação desse capital em benefício social.