Estudo serológico de Almeirim revela que 3,88% da população esteve em contato com o vírus

Publicado em 17 Jul 2020
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Estudo serológico realizado em Almeirim, entre 23 de maio e 4 de julho, revela que 3,88% das pessoas testadas estiveram em contacto com o novo coronavírus, apesar de a maioria ter tido apenas sintomas ligeiros.  Da amostra de profissionais de saúde testado, apenas 1% apresentou anticorpos para o vírus SARS-COV-2. Resultados reforçam a importância de conduzir estudos serológicos para a definição de medidas precisas de contenção e resposta à pandemia.

A Câmara Municipal de Almeirim em colaboração com o Agrupamento dos Centros de Saúde da Lezíria do Tejo e o Instituto Gulbenkian de Ciência realizou um estudo serológico à covid-19 para determinar se a população estivera exposta ao vírus. Segundo Pedro Ribeiro, Presidente da Câmara Municipal de Almeirim, “só podemos atuar estrategicamente se conhecermos a realidade da nossa população. A colaboração entre as diferentes estruturas é fundamental na resposta tática e preventiva para minimizar os efeitos da atual pandemia”.

No total foram testadas 553 pessoas: 270 pessoas (1,16% da população) uma amostra aleatória da população, que pertence a 121 alojamentos (0,99% dos alojamentos listados no Município de Almeirim), 200 profissionais de saúde de primeira linha ao combate do vírus e 83 casos de pessoas infetadas ou com contactos de casos confirmados.

Os testes realizados à amostra de população revelaram que a sero-prevalência de anticorpos contra o vírus da COVID19 na população de Almeirim é de 3,88%. A maioria dos indivíduos positivos no teste serológico não estava ciente de sintomatologia que configurasse suspeição de doença. Ou seja, o estudo revelou um número apreciável de casos de infecção assintomática que de outro modo não seriam detetados.

O estudo dos 200 profissionais de primeira linha revelou que apenas 1% mostravam anticorpos contra o vírus. Este baixo número de testes positivos numa população com maior risco de exposição, sugere que a implementação de medidas de proteção pessoal dos profissionais foi bem-sucedida.

O estudo revelou, ainda, que em cerca de um terço dos indivíduos em vigilância ativa foram detetados anticorpos para o vírus, sem que tivesse sido previamente detetada infeção viral. Para Carlos Penha Gonçalves, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência envolvido na realização do estudo “é crucial perceber como o vírus se transmite silenciosamente e como circula sem dar sinais da sua presença, infetando alguns mais que outros. Para isso temos de recorrer as ferramentas mais poderosas que conhecemos: estudos serológicos utilizados de forma estratégica e em alvos representativos da população.”

Os testes serológicos utilizados neste estudo foram desenvolvidos pelo consórcio liderado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência, serology4COVID que reuniu mais 4 institutos biomédicos portugueses da área de Oeiras e Lisboa (ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade Nova de Lisboa, iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica,  iMM – Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e o CEDOC-NMS, Centro de Estudos de Doenças Crónicas da NOVA Medical School da Universidade Nova de Lisboa) e que contou com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Oeiras, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Sociedade Francisco Manuel dos Santos.

A utilização de ferramentas robustas, nomeadamente a amostragem probabilística e testes de alta fiabilidade constitui um desafio da execução de inquéritos serológicos. No entanto, este estudo vem reforçar que os estudos que adotam modelos de implementação que envolvem as estruturas locais (autarquias e saúde) são bem-sucedidos e permitem um maior rigor metodológico e obtenção de resultados mais realistas.

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