Opinião/2022 Joaquim Palmela Janeiro 14, 2022 (Comments off) (512)

Opinião – Nuno Mário Antão – Olhar para uma folha em branco

Olhar para uma folha em branco e começar a escrever é um dos exercícios mais estimulantes e mais desafiantes. Pratico-o há uns bons anos e, confesso, não me canso de o fazer e faço-o sempre com o mesmo entusiamo e com o mesmo “nervoso miudinho”. A oportunidade de construir e transmitir opinião é uma responsabilidade que não aligeiro e que assumo com muita honra. Quero, pois, começar por agradecer este convite ao Joaquim Palmela e à Tejo Rádio Jornal.

Os tempos que vivemos tornam inevitável que, por esta crónica, passem assuntos como a pandemia e, no imediato, as eleições legislativas. Pontuo este texto com o enorme desassossego que sentiria se não fizesse tudo para fomentar a participação, o confronto de ideias, o apelo à inteligência e, “last but not the least”, a promoção da tolerância e da integração em plataformas de entendimento, que juntem pessoas, ideias e pontos de vista, sem perder a âncora numa realidade indiscutivelmente complexa.

Não é a verdade que vos quero transmitir. É apenas a minha perspetiva e o caminho que percorri para a consolidar (o suficiente para entender que a devo colocar ao vosso dispor). Temos ao nosso alcance uma dose abundante de informação. Ou seja, qualquer tentativa de vos condicionar seria, no mínimo, ridícula. Os exercícios serão sempre de inquietação e questionamento sobre os “estados a que chegamos”, tão bem descritos, à época, pelo nosso Capitão de Abril, fonte de inspiração para uma ação libertadora e geradora de felicidade.

Obviamente socialista, militante de cartão e coração, ativista, autarca (desde o já longínquo ano de 1993 do século passado), dirigente associativo, antigo Deputado e, atualmente, num gabinete governamental, não vos quero deixar qualquer equívoco sobre quem sou, onde estou e para onde quero ir com a vossa companhia, parceria, cooperação e partilha. Se a pandemia nos ensinou alguma coisa (e de que maneira), foi a urgência de cada um de nós contribuir para a proteção do outro e, assim, para o sucesso coletivo. E foram tantas as vezes em que isso foi sinónimo de sacrifício pessoal. Por isso, pergunto: prosseguimos esta missão para lá da pandemia? Pode ser por causa do buraco à frente da porta de um de nós. Ou por causa da manutenção de um serviço nacional de saúde e de uma escola pública, que, cada vez mais, têm de ser capazes de garantir respostas de qualidade ao acesso a todas e a todos.

No final deste mês, seremos confrontados com escolhas. Vamos eleger os protagonistas que nos irão representar. Vamos eleger projetos e caminhos. E, espero, vamos abrir horizontes de esperança e de confiança no futuro. Não desistam, não deixem a decisão nas mãos dos outros. Participem e, tendo a oportunidade e a necessidade, não deixem de recorrer à possibilidade de votar antecipadamente, a 23 de janeiro. Para tal, bastará inscreverem-se em www.votoantecipado.mai.gov.pt, entre os dias 16 e 20 de janeiro.

Agora é tempo de seguir em frente. É tempo de não reerguer os muros que fomos derrubando ao longo das últimas décadas. É tempo de, sem hesitações, continuarmos a erguer pontes.

Obrigado. Espero que esta parceria possa ser tão gratificante para vós quanto (já) é para mim. Conto convosco para, juntos, contrariarmos a folha em branco.

Salvaterra de Magos, 14 de janeiro de 2022

Nuno Mário Antão