Opinião/2022 Joaquim Palmela Abril 27, 2022 (Comments off) (152)

Opinião – 25 de abril, SEMPRE!

Para quem viveu, direta ou indiretamente esta data de 1974, é sempre com emoção e muito sentido de responsabilidade que, ano após ano, participamos em tertúlias de reflexão, em comemorações oficiais, em festas populares, em manifestações…

Este ano fiz uma velha opção: juntei-me a um grupo de rapaziada e, na associação que gerimos, organizámos uma série de atividades de convívio: caminhada, almoço, animação, arruada de música.

Hino Nacional, Grândola, Vivas!

Camisolas impressas, alguns cravos vermelhos na lapela, poucos, que a natureza não deve ser delapidada.

25 de abril é dia de festa, de muita alegria: o fim da ditadura, a fim da guerra colonial, o fim da repressão sobre o pensamento, o fim da escola com separação de sexos (coisa tão bizarra), isto é: a democracia, o desenvolvimento e a descolonização.

Bem hajam os CAPITÃES DE ABRIL e o POVO que lhes deu anseio e virtude no Largo do Carmo, no Terreiro do Paço e um pouco por todo o lado.

Nos canos das espingardas, cravos vermelhos!

À noite, o telejornal e as (suas) notícias: o raio da guerra desta vez não abriu, foi a vez do Presidente da República.

O quê? Aumentar a dotação orçamental para a defesa, em 2% do Orçamento de Estado?

E os aplausos e discursos concordantes vieram de quase todas as bancadas.

Porém, Portugal não está em guerra, entendida como ação militar de ataque e defesa em função de um inimigo belicoso; a nossa «guerra» é outra: depois da descolonização, ficaram a consolidação e defesa da democracia e o desenvolvimento pessoal, social e económico.

Como Fernando Pessoa, «a minha pátria é a língua portuguesa», acrescentarei eu que o resto é espaço, território!

Num Orçamento de Estado, onde os gastos com a cultura representam apenas 0,4% da despesa total consolidada da administração central, ouvimos falar de aumentar a despesa com a guerra?

O Presidente da República e todos os investidos em Cargos Públicos, juram sobre a Constituição da República, exercer «com toda a dedicação as funções para que sou investido», leiam então a Lei Principal do País (Ponto 2 do Artigo 7):

«Portugal preconiza a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares e o estabelecimento de um sistema de segurança coletiva, com vista à criação de uma ordem internacional capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.»

Para que fique claro: sou contra todas as formas de agressão, desde a “terra queimada” que os noticiários nos vão mostrando em terra ucranianas, ao mais simples ato de violência física, verbal, psicológica ou moral.

Para mim, o 25 DE ABRIL e a PAZ são indissociáveis.

VIVA O 25 DE ABRIL, VIVA A PAZ.

Opinião – Mário Júlio: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével

Dirigente associativo dedicado ao Teatro