Opinião/2022 A Redação Janeiro 23, 2023 (Comments off) (225)

Opinião – A pornografia de uma minoria  

Uma ativista transexual subiu ao palco do teatro São Luiz, em Lisboa, na passada quinta-feira, e interrompeu a peça “Tudo Sobre A Minha Mãe”. 

A performer travesti brasileira Keyla Brasil reclamou com gritos histéricos que uma personagem transexual estava a ser representada por um ator do sexo masculino, André Patrício. 

Perante o protesto aplaudido por algum público e pelos restantes atores (já estariam à espera?), a peça foi suspensa e quem assistia saiu ordeiramente. 

O encenador Daniel Gorjão reconhece que foi uma opção falhada e no dia seguinte colocou uma atriz transexual no papel, mantendo o ator substituído na peça onde já fazia outros personagens. 

André Patrício reagiu com indignação, mas tem de continuar a trabalhar para ganhar o pão.  

Deixo algumas dúvidas sobre este protesto manifestamente exagerado, mas alegadamente planeado para dar mais canal à peça e à causa. 

Questiono: 

Se um cidadão comum invadir um palco num qualquer teatro do país ser-lhe-á permitido protesto semelhante?  

Não estamos perante um comportamento censurável e punível pela Lei? 

Imaginem alguém desempregado e ciente das suas competências, subir a um palco e afastar um apresentador homossexual ou transgénero porque estaria convencido que faria melhor. 

Era considerado louco e detido? 

E se um de vós, na vossa profissão, protestar porque o vosso desempenho seria mais apropriado à função desempenhada por outro colega? 

O direito ao protesto e à indignação é um direito de todos e inalienável. 

A minha liberdade termina onde começa a sua. 

O que aconteceu no São Luiz foi mais um ato abusivo de pornografia intelectual de uma minoria.   

E com sucesso. 

Se a moda pega… 

Opinião – Nelson Lopes  – Gestor de Comunicação