Opinião/2022 Ana Mesquita Março 2, 2022 (Comments off) (591)

Opinião – A Seca extrema pode ser a próxima pandemia

Abril águas mil já deixou de fazer sentido. 

Por mais que rezemos, façamos promessas ou peregrinações, a solução não está na mão de Deus nem da Virgem Maria. 

Está em cada um de nós e em todos nós.  

O Planeta anda louco? 

Não. Loucos são os que continuam a fazer as mesmas coisas percebendo que este caminho não nos leva a lugar nenhum. 

Barco sem água não anda, homem sem água não vive. 

O representante do Secretário-Geral das Nações Unidas, Mami Mizutori, Representante Especial do  

Secretário-Geral das Nações Unidas (António Guterres) para a Redução de Risco de Desastres (UNDRR), alerta que: “a seca está prestes a tornar-se a próxima pandemia, e não existe vacina para curá-la”. 

A escassez de água acelerada pela seca extrema pode vir a causar estragos ao nível da COVID-19 com a perda de vidas, de biodiversidade e de fundos. 

Há quem defenda que a médio prazo iremos ter conflitos graves pela posse da água como um bem tão ou mais precioso que o petróleo ou o gás natural. 

As temperaturas sobem para valores recorde, usamos e abusamos da água como se a água fosse infinita, não reduzimos as perdas e continuamos a assobiar para o lado. 

Na região do Ribatejo mais de 30% da água tratada e distribuída perde-se, ou seja, não é faturada. No país há locais com 78% de perdas de água. 

Acresce o uso da água da rede tratada para regas, lavagens, combate aos fogos como se não existissem alternativas. Mas existem! 

Só porque é mais fácil e porque continuamos a acreditar que a torneira não seca. Mas está a secar. 

Continuamos a ver regas automáticas em dia de chuva, pivots a regar as estradas, lavagens de ruas com água da rede pública e gente de bem a encher piscinas furtando água que é paga por todos nós. 

Sim. Sempre que alguém não paga, outros pagam por eles. Os honestos e responsáveis são sempre penalizados. É como nos impostos. 

Acordemos, antes que seja tarde. 

Vamos pegar o touro de caras e erguer a bandeira do uso eficiente e responsável da água. 

Incentivando as boas práticas na agricultura com uma gestão do recurso água com acentuada responsabilidade ambiental e social.  

Combatendo as perdas de água para garantir reservas suficientes para o abastecimento das populações de forma segura e com qualidade.  

Incentivando o investimento das entidades gestoras, das câmaras, do Governo e da União Europeia na renovação dos sistemas de abastecimento de água, são obras que não enchem o olho e não dão votos, mas são imprescindíveis. 

Investir num sistema de retenção de água para a agricultura com os olhos postos no Alqueva onde tudo mudou. É um investimento com retorno económico e ambiental. 

Será um contributo para o Futuro de uma região e do País. 

Note-se que na bacia hidrográfica do Tejo, proliferam elevadas extrações de águas subterrâneas, que ultrapassam nitidamente, de uma forma continuada, a capacidade de recarga dos respetivos aquíferos.  

É urgente encontrar alternativas como reconhecem os intervenientes nos processos de desenvolvimento de uma agricultura sustentável para a região e para o país.  

A escassez de água é real, corremos o risco de em dias de maiores consumos termos a torneira seca. 

E como diziam a semana passada, uns alunos de uma escola em Salvaterra de Magos: “a vida sem água…é uma seca!” 

Opinião – Nelson Silva Lopes