Opinião/2022 Joaquim Palmela Janeiro 15, 2022 (Comments off) (418)

Opinião – Bruno Vieira – Orçamento da Câmara do Cartaxo 2022

Desde 1976 que a Câmara Municipal pertencia ao PS, a 26 de setembro de 2021 houve uma reviravolta das forças políticas no Cartaxo, estando agora a Câmara nas mãos do PSD. Terá havido um desgaste no poder local e um apelo à mudança por parta da população? Ou houve uma mudança ideológica por parte dos Cartaxenses? Dia 30 de janeiro com os dados alusivos às legislativas, no concelho do Cartaxo, será possível obter mais dados para a formulação de uma resposta às questões anteriores. Agora pela primeira vez temos um orçamento Municipal do PSD.

Algo controverso e interessante: não é um orçamento revolucionário quanto a anos anteriores, a vida dos munícipes não irá mudar da noite para o dia, mas isto é dificultado pelo FAM o que obriga a uma restrição nas despesas e a que os impostos sejam taxados ao máximo permitido.

Ao meu ver é um pouco controverso, pois este orçamento espera ter uma receita nos impostos diretos de 5.911.320€, esta receita é superior à de 2021 em 400.135€, um aumento de 7,26%. Este aumento é algo complicado, sendo que entre 2011 e 2021 a população no concelho diminuiu 5,2%, tendência essa que não deverá acabar este ano. Posto isto, a única forma deste aumento na receita dos impostos diretos acontecer é sobrecarregando os munícipes com esses mesmos impostos.

É possível também questionar, se o estacionamento tarifado, irá ou não ter influência no comércio local.

Em termos de ação social, penso que o Cartaxo nunca teve um investimento tão grande nessa área, aumento esse que acontece devido a um Programa de Reabilitação Urbana, onde as aquisições são 100% financiadas pela EU e as reabilitações a 85%. O Programa terá um financiamento total de 2.826.689€, mas 2.795.092€ ou seja 98.88% desse financiamento não está definido.

Devido aos tempos em que vivemos, existe uma falta de investimento em diversos setores como a Saúde, a proteção ambiental, a prevenção de desastres naturais, e a falta de um plano que contribua efetivamente para a fixação de população no Cartaxo. A prevenção quanto a catástrofes naturais (que é um tema pouco ou nada falado), devido à fragilidade das finanças no Cartaxo, é deveras importante pois ao sermos apanhados de surpresa, os prejuízos daí provenientes são algo para o qual o orçamento não conseguirá ser abrangente, podemos pensar que “aqui não acontecem essas coisas”, mas o tornado no concelho ao lado, em Salvaterra de Magos, no dia 24 de dezembro de 2021, provou que não estamos isentos destas situações. Para além da subida do nível medio da água do mar, que vai gradualmente aumentar o risco de inundação em Vale da Pedra, Setil, Valada, Vila Chã de Ourique, Santana e Palhota, podendo afetar a linha férrea, estradas e mesmo habitações.

Um orçamento precisa de ter em conta o passado, o presente e o futuro de forma a criar as melhores condições possíveis para a vida dos munícipes das gerações atuais, assim como das futuras.

Opinião – Bruno Vieira