Opinião/2022 Joaquim Palmela Julho 27, 2022 (Comments off) (181)

Opinião – Cartaxo tempo de mudança

Há um bom par de anos, um influente político da nossa terra respondia às constantes manifestações de desagrado de munícipes residentes nas Várzeas, que, se não queriam ter moscas nem maus cheiros, ficassem em Lisboa!

Foi uma longa batalha, que os residentes apenas venceram com o encerramento, por motivos que nada tiveram a ver com a saúde pública, dos aviários (de que restam os escombros) que ali produziam.

Cruzando a nacional 365-2 ou a 114-2, percebemos que os problemas persistem: os odores que empestam a Escola Básica de Pontével, ou o lar de idosos Idade Tranquila mostram-nos que o encolher de ombros com que os gestores municipais responderam a muitas manifestações de preocupação por parte de alguns eleitos, “da oposição”, não servem para resolver as questões mais básicas do bem-estar.

Ouvimos muitas respostas do tipo de que cumprem a legislação de mil novecentos e troca o passo, pasmávamos e respondíamos que não podia ser: entendíamos que não cumpririam qualquer legislação, por mais desatualizada que estivesse, assim como não procuravam investir os lucros na proteção do meio ambiente.

A solução, parecia que continuava a ser mandar os potenciais novos concidadãos para Lisboa… e muitos devem ter ido, pelo menos para geografias mais atraentes.

Entretanto os cidadãos “de desde sempre”, por exemplo, das Marotas, em Pontével, continuam sem poder abrir as janelas, não usam a água dos seus poços, não usufruem da qualidade de vida por que tanto trabalharam.

E o tormento amplia-se agora, somando a vacaria do Alto de S. Gens…

Vimos, na Assembleia Municipal, algumas destas unidades mereceram o epíteto de «utilidade pública», aprovada com os votos da então maioria: será agora o tempo da mudança?

Somos um concelho com forte tradição rural, estimamos essa caraterística e tenho provas dadas na defesa, divulgação e apoio desta ligação à terra. Porém, não só existe uma legislação nacional que tem de ser respeitada, como existe um equilíbrio entre a produção e o seu impacto na natureza que tem de ser protegida: precisamos de intransigência no seu cumprimento.

Comemos ovos e carne, bebemos leite, calçamos e vestimos, mas também respiramos o ar, necessitamos do Sol e bebemos a água: a produção não pode gerar só lucros.

Quem procura alternativas de vida nos concelhos do “interior”, não só deveria ser apoiado financeiramente, como tem de ser acarinhado: é mais do que conhecida a responsabilidade que o abandono dos “campos” tem na quantidade de fogos florestais.

É urgente uma política pública que favoreça a “ocupação” equilibrada do território nacional. E não são apenas as creches, os transportes públicos, a qualidade das estradas… necessário é pensar no usufruto quotidiano do espaço, para a caminhada do final da tarde, para o passeio domingueiro de bicicleta: para se querer estar aqui, regressar aqui, ficar aqui!

Opinião – Mário Júlio: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével e dirigente associativo dedicado ao Teatro