Opinião/2022 Joaquim Palmela Julho 14, 2022 (Comments off) (239)

Opinião – Desabafo. Permitam que partilhe um convosco.

Ciclicamente regressamos ao fogo, tão natural como a água, a terra e o ar. Regenerador único, temos evoluído, e de que maneira, à conta dele, mas desaprendemos a viver com ele e a respeitá-lo nas ausências.

A vida permitiu-me, e permite, ter as mais diversas experiências de convivência com o fogo. Enquanto autarca, dirigente associativo, deputado, adjunto de uma governadora civil e, agora, num gabinete de uma ministra. No teatro de operações, na logística, nas salas de comando, distrital e nacional, a ser guia, a servir refeições, a partilhar decisões políticas, sempre com base nas recomendações operacionais. Nunca fui bombeiro, mas já o enfrentei de frente e fugi à frente dele. Já tive de evacuar locais, de lidar com jornalistas e de ser testemunha da enorme generosidade das pessoas, de transportar feridos, de vigiar rescaldos, de fechar estradas e de servir de mira a helicópteros.

Aprendi, como se faz e como não se faz, com o Carlos Leonel, com o Sr. Vasco, com o Chambel, com o Natario, com a Lurdes, com o Zé Guilherme, com o Zé Merda, com o Cardia e com o Mário Silvestre, com o Lobato e com o Telmo, com o Nesquik, com o Catalão, com o Pedro Ribeiro, com a Andreia, com a Lúcia, com a Irina, com o Paulo Fonseca e  com a  Sanfona, com o Diamantino e com o Adelino, com o Curto e com o Caldeira, com o Ferro, com o Peixe, com o Rolo e com o Lagarto, com a Moutinho e com o Joaquim Mário, com o Benavente, com a Bela e com o CD, com o João e com o Cruz, com a Céu, com o André e com a Patrícia, com a Mena e com a Graça.

Aprendi com os melhores, com homens inspiradores e mulheres fantásticas. Mas também com autênticas bestas. Todavia, todos e todas, sem exceção, com uma bondade ilimitada na defesa dos interesses coletivos e individuais. Partilhei o desespero da incapacidade, a angústia do decisor, a violência da opção. Ouvi gritar, nunca gritei. Há sempre alguém que tem de ser o referencial de estabilidade num teatro de operações. Aprendi a integrar, a ser firme na decisão e tolerante na reação. A fazer o que tem de ser feito.

Os tempos absolutamente extraordinários exigem o melhor de nós. É tempo de não esperar pelo que os outros podem fazer por nós, é tempo de pensar no que podemos nós fazer pelos outros. É o tempo que vivemos e a que temos de sobreviver. Juntos.

Vamos a isso?

Opinião – Nuno Antão, autarca em Salvaterra de Magos desde 1993. Assessor de Comunicação «Comunicar é dividir alguma coisa com alguém».