Opinião/2022 Joaquim Palmela Julho 18, 2022 (Comments off) (267)

Opinião – Estarão Loucos, os Deuses?

Depois do filme «Os Deuses Devem Estar Loucos», muitos efluentes domésticos e industriais correram para os rios do nosso Planeta,sem qualquer tratamento, nem aproveitamento.

O filme conta a história de Xixo, um bosquímano do Kalahari (brilhantemente protagonizado pelo ator e agricultor namibiano N!xau).

A tribo de Xixo não tinha contacto ou conhecimento do mundo além da sua estepe desértica, quando, de um avião de passagem, o piloto deita fora uma garrafa de vidro de Coca-Cola.

Lá pelo Kalaári, esse objeto só podia ser considerado um presente dos deuses, porém, se Xixo e seus vizinhos fizessem a estrada Cartaxo-Vale da Pinta, diriam que os deuses são, no mínimo, uns mãos largas, perdulários generosos, tal a quantidade de objetos depositados nas bermas da estrada municipal que percorro diariamente, atirados janela fora por outros pilotos…

Mas na tribo de Xixo, os conflitos foram aumentando, já que há somente uma garrafa para dividir por todos. Então, decide-se que o “frasco” deve ser atirado para fora do planeta. E é a Xixo que compete tal tarefa.

Nós, por cá, sabemos bem que não podemos deitar nada para fora do Planeta: este é o único! Tudo cá fica, tudo se transforma e tudo resiste, mas, fica aqui!

Mesmo que o mangue arbóreo de Sundarbans, a maior floresta mangal do Mundo, no Bangladesh, seja a lixeira de muitas indústrias chinesas (com a conivência de ambos os governos e elites financeiras), os dejetos, os desperdícios, o que resta, o lixo, fica cá.

Soluções há muitas, mas a energia de que a vida que levamos necessita, para nos vestir e calçar, para construir as nossas casas, para fazer os nossos esgotos, para a produção dos nossos livros, para nos alimentar… os resíduos que resultam da nossa atividade… só têm encontrado solução na velha máxima “small is beautiful”.

Como se transforma Lisboa numa “pequena” comunidade? E se falarmos da Cidade do México, então…

Bem, mas há esperança, e todos sabemos que podemos diminuir significativamente a nossa pegada ecológica se, por exemplo, separarmos os resíduos em categorias recicláveis, se usarmos menos o transporte particular, movido a energia fóssil (qualquer dia falamos dos elétricos), se apagarmos a «luz» mais vezes, se comermos menos carne, se plantarmos, tratarmos e protegermos as árvores!

Precisamos delas, de milhões e milhões de árvores!

São a única solução, a curto prazo, para minoramos as galopantes alterações climáticas.

E plantar mais árvores, também significa não destruir as existentes já hoje, que essas estão no apogeu da sua função de produção de oxigénio e de retenção de carbono, ou estavam: foram cortadas por razões que não conseguimos apurar (plátano secular na Fonte de Cima em Vale da Pinta), para permitir o acesso a uma garagem (amoreira no Cartaxo, largo do antigo matadouro) e por razões desconhecidas, onze árvores, jacaranddás, em redor da Sociedade Filarmónica Incrível Pontevelense.

Quando os Escoteiros do Cartaxo mereceram uma Menção Honrosa, no Festival Nacional da Canção Escotista, corria o Ano Internacional da Criança, lá nos idos de 79 (do século passado),estávamos longe de acreditar que o seu refrão…

«Se cortares uma árvore

Planta seis em seu lugar

A árvore é tua amiga

Até lhe podes cantar.»

…fosse, quarenta anos depois, tão importante cantar a plenos pulmões!

Até que a Terra se revolte?

Opinião – Mário Júlio: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével e dirigente associativo dedicado ao Teatro