Destaque Opinião/2022 Joaquim Palmela Junho 28, 2022 (Comments off) (278)

Opinião – Faz-me festas

Não há fome que não dê em fartura. 

Após um cativeiro pandémico de dois anos, multiplicam-se as festas e romarias por todo o país com orçamentos fabulosos para um país pobre e com tanta necessidade básica. 

A pandemia permitiu aos municípios e freguesias pouparem milhões e agora é gastar como se não houvesse amanhã. 

Não se discute preço, o que importa é ter o melhor artista, o melhor fogo e dar de comer e beber ao povo porque é pelo estômago que se conquista. 

Não há limites para a contratação de pessoas e para as horas extra porque é a partir de dentro que se ganham as eleições lá fora. 

É saudável esta febre de festejos porque anima as pessoas e coloca a economia a funcionar. Principalmente as pequenas economias que estiveram privadas de trabalho e sustento durante dois longos anos. 

Quem resistiu tem recebido balões de oxigénio. 

E junta-se o útil ao agradável.  

O povo gosta de festa.  A maioria dos eleitores valoriza mais a festa que a saúde, a educação, a segurança, o emprego, a habitação… 

Pouco importa não ter médico, não ter maternidade a funcionar, não ter segurança, não ter uma casa digna, não ter trabalho com direitos. 

Temos festa e enquanto estamos em festa tudo esquecemos. 

Tristezas não pagam dívidas e o amanhã a Deus Pertence. 

Siga a festa para diante que atrás vem gente.  

 Opinião – Nelson Lopes  – Jornalista desde 1990. Gestor de Comunicação