Opinião/2022 Joaquim Palmela Março 1, 2022 (Comments off) (241)

Opinião – Guerra no Coração da Europa, ajuda no Coração dos Portugueses

Opinião – La Salette Marques

A semana passada fez-nos acordar para o pesadelo da guerra, com a Rússia a concretizar a ação que mais se temia: a invasão da Ucrânia.

Tal como todas as guerras, a invasão da Ucrânia pela Rússia deixará um rasto de destruição e morte, que estamos a acompanhar já através das imagens transmitidas pelas televisões, mas deixará também uma multidão de refugiados de guerra, essencialmente mulheres e crianças desprotegidas.

Este é o tempo dos dirigentes políticos de alto nível tomarem decisões difíceis, mas é também o tempo da solidariedade e do humanismo.

Com a guerra de regresso à Europa, por iniciativa de um homem frio que calculou meticulosamente os discursos a apresentar, entre ameaças, ofensas, recuos e avanços, vemos a forma como a União Europeia e as suas instituições e governos nacionais têm sido capazes de construir uma estratégia de resposta comum e unificada a uma Rússia expansionista e obstinada com a ideia de ser atacada pela NATO.

No plano geopolítico, esta guerra veio fazer aquilo que anos de debate político interno não foram capazes de fazer: fortalecer a União Europeia. No plano sociológico, temos agora um povo europeu consciente de que a paz é frágil, a democracia é um valor inestimável e a solidariedade entre povos não pode ser só conversa.

E não é. Conhecido pela sua imensa generosidade, Portugal tem já em funcionamento um sem número de correntes solidárias de angariação de donativos para levar aos refugiados e as portas abertas para receber os que puderem vir.

É verdade que somos bons a apoiar. Mas muitas vezes pecamos por desorganização. Será bom que, em mais esta oportunidade que temos de mostrar o melhor de nós, sejamos capazes de nos organizar e de fazer chegar a ajuda aos locais certos.

Os locais certos estarão algures na Polónia e na Roménia, países da União Europeia que fazem fronteira com a Ucrânia e para onde se dirigem as dezenas de milhar de famílias que fogem da guerra.

Em sentido inverso, para a Ucrânia, seguem armas financiadas pela União Europeia, que acaba de aplicar o mais duro pacote de sanções económicas alguma vez aplicado a algum país do Mundo. A União Europeia, em articulação com muitos outros estados, desde logo com os Estados Unidos da América, Canadá e Reino Unido, estão a isolar a Rússia num movimento que não é isento de riscos. Até o futebol está a fazer a sua parte, rejeitando o financiamento da Gazprom enquanto bane a Rússia das competições europeias e do Mundial.

Esta guerra é de tal forma injusta, que conseguiu o impensável até hoje: unir uma boa parte do Mundo contra a injustiça.

Opinião – La Salette Marques