Opinião/2022 Joaquim Palmela Abril 6, 2022 (Comments off) (200)

Opinião – Há limites para a violência?

A guerra na Ucrânia atingiu um novo patamar. A conquista russa tornou-se um fracasso militar, uma humilhação para Putin. E os massacres tornaram-se o único resultado visível da “operação de libertação e desnazificação”. Talvez esperassem cravos e aplausos, mas não… Nem mereciam! Encontraram coragem e resistência, respondendo como só os fracos sabem fazer: com uma força desmedida e sem qualquer legitimidade quando, à sua frente, só havia inocentes.

Horrorizado com as imagens de Bucha, a reflexão que se impõe é a dos limites da violência. Mas há limites? Ou toda e qualquer violência é inaceitável? Qual é a diferença entre Bucha, Moma ou Hollywood? Um tiro é diferente de um pontapé ou de uma bofetada? Não, não é… Putin é um criminoso de guerra, mas quem assassinou o PSP e Will Smith são “apenas” cobardes?

Querer impor limites à liberdade de um povo, ao dever de manter a ordem e ao humor é a linha vermelha que cada um de nós não pode ultrapassar. Não há enquadramento, contexto ou estado de espírito que legitime violência gratuita. Afinal de contas, que exemplo estaremos nós a dar aos nossos filhos e netos se vacilarmos na condenação desta gente?

Tantas perguntas e tão poucas respostas. É este o tempo que vivemos.

Opinião – Nuno Mário Antão

6 de abril de 2022

A Ponte

“O Parlamento é a casa da palavra, da palavra livre, tantas vezes incómoda, agreste, dura. Da palavra necessária e com a medida de necessidade que exigir a circunstância. Todas as ideias podem ser trazidas, mesmo aquelas que contestam a democracia, porque essa é a vantagem óbvia da democracia sobre a ditadura.

Por mais esdrúxulas que sejam ou pareçam ser, a expressão das ideias pelos outros deve ser acolhida com cortesia, que não é por impedir o outro de se exprimir que alguém fica com a razão. E as ideias próprias não precisam de ser gritadas, porque a qualidade dos argumentos não se mede em decibéis.

O único discurso sem lugar aqui há de ser o discurso do ódio, quer dizer, o discurso que negar a dignidade humana seja a quem for, o discurso que insultar o outro só porque o outro é diferente, o discurso que discriminar, seja qual for o motivo da discriminação, o discurso que incitar à violência e à perseguição. A liberdade e a igualdade custaram demasiado para que agora pudéssemos aceitar regredir para novos tempos de barbárie.”

Augusto Santos Silva, Presidente da Assembleia da República, num “primeiro sopro de um vento que perdurará.”

O Muro

A hipótese, remota apenas por meu desejo, de Marine Le Pen poder ser eleita presidente na República Francesa. A pátria da “liberté, egalité, fraternité” vai ter de resistir novamente e nós, por cá, também! Depois de Trump, Bolsonaro ou Salvini, o mundo precisa de patriotas, que respeitem a pátria dos outros, e não de nacionalistas, que simplesmente odeiem e desprezem a nação alheia.