Opinião/2022 Joaquim Palmela Abril 14, 2022 (Comments off) (130)

Opinião – Há lugares onde a COVID continua a ser grave

“Estamos longe de ter um verão descontraído”, disse-nos a Diretora Geral de Saúde, Graça Freitas, quando apresentou recentemente o ponto da situação epidemiológica em Portugal relativamente à Covid-19.

Os portugueses agradecem a informação porque, depois da overdose de informação sobre a evolução da pandemia, com pontos de situação diários, passámos a uma ausência quase total de notícias sobre o tema. B

em sabemos que a invasão na Ucrânia concentrou os apetites sanguinários da comunicação social e abriu todo um novo palco para reality shows sobre vidas difíceis de jornalistas em cenários de guerra. Bem sabemos que o Governo andou em mudanças, de caras e de casas, de programa e de orçamento, e que a Oposição está como que “fechada para obras”… Não era motivo para deixar de falar da doença que nos condicionou a vida durante dois anos como se ela tivesse deixado de existir.

E o que verificamos é que não só não deixou de existir, como continua a ameaçar os nossos quotidianos e a exigir medidas sanitárias rigorosas. Esta ausência de comunicação deu à população uma sensação de falsa segurança, que se traduz no abandono de algumas das medidas que nos habituámos a encarar como necessárias: uso de máscara, distanciamento social e desinfeção das mãos. Apesar das regras que ainda estão em vigor, o desleixo na aplicação das regras é para todos uma evidência.

Dá-se o caso de que a covid ainda não nos deixou e ainda constitui uma ameaça, sobretudo em instituições de saúde e de acolhimento de populações mais vulneráveis, onde se registam surtos. É o caso do Hospital Distrital de Santarém, que tem neste momento um piso encerrado a visitas aos doentes precisamente por registar um surto de covid no internamento do serviço em causa.

Serve esta nota para lembrar que a covid ainda está muito presente, que as medidas sanitárias continuam a ser indispensáveis e que o Ministério da Saúde fez mal em abandonar a divulgação frequente da informação quantitativa da evolução da doença de forma simples e eficaz: quantos mais casos se registam dia após dia. Essa informação de leitura simples dá-nos um quadro imediato de como estamos e alerta-nos para o nível de perigo, facilitando a manutenção dos cuidados.

Por outro lado, a ausência de informação ou a divulgação de “rt’s”, taxas de incidência ou óbitos por período de tempo, não nos permite leituras diretas, retira-nos do estado de alerta e induz-nos à desvalorização do risco. A comunicação, a tão falada comunicação, continua a ser difícil e incompreensível. Agora que aí vem a Páscoa e que as famílias contam reunir-se, pede-se mais do que o ponto de situação do momento ou sobre o nível de descontração do verão. Pede-se um alerta geral e a lembrança de que há lugares onde a covid continua a poder matar. Esses lugares são precisamente onde estão, repito, os mais vulneráveis: hospitais e lares de acolhimento. Sejamos responsáveis e exigentes.

Opinião – La Salette Marques formou -se em Jornalismo em 1990. Depois de iniciar a carreira como jornalista na Rádio Ribatejo, passou pela Rádio Cartaxo e ingressou na Antena 1 em 1993, onde entrou como especialista em política e desempenhou as funções de jornalista parlamentar.