Opinião/2022 Joaquim Palmela Abril 7, 2022 (Comments off) (247)

Opinião – Homem Nobre e Herói

Os «heróis do mar» e o «nobre povo», sempre me provocaram alguns suores frios, o primeiro, atendendo a minha experiência de nascimento e adolescência, o segundo, ouvindo os relatos da maior parte dos noticiários…

Claro que continuo sem confundir o povo russo com o presidente Putin!

Mas esta semana, particularmente, e felizmente não é exemplo isolado, comoveu-me a homenagem dos D’Alma ao homem nobre, que deu pela graça de Aristides de Sousa Mendes, falecido num dia 3 de abril…

«Era verdadeirameente minha intenção salvar toda aquela gente».

Bastava isto: a consciência acima de todas as ordens burocráticas, o dever ao lado da humanidade.

Muitos «mandantes» deviam ser obrigados a decorar até à exaustão, este primado da decisão pública.

Aristides viria a ser punido com a interrupção da carreira diplomática, a perda de toda a influência na corte dos interesses do Estado e com o descrédito dos negócios da família: “morreu na miséria”, contará a sua história.

O Estado esqueceu-se dos favores que lhe devia, de 1929, quando consul de Vigo, onde se considerou a pessoa apropriada para vigiar e inutilizar os manejos conspiratórios dos emigrados políticos contra a ditadura que sempre apoiou: o Poder tem destas coisas. E os Homens também: Aristides, viria a defender a sua ação no consulado de Bordéus com a célebre frase: «se há que desobedecer, prefiro que seja a uma ordem dos homens do que a uma ordem de Deus».

Um homem, que mereceu o panteão e recebeu honras de Estado.

As dívidas, a delapidação do património da família, a separação dos filhos… não são sombra que apague a luz descrita pela escritora francesa Gisèle Quittner:

«Faço questão de lhe escrever para lhe dizer da profunda admiração que têm por si em todos os países onde exerceu as funções de cônsul. O Senhor é para Portugal a melhor das propagandas, e uma honra para a sua Pátria. Todos aqueles que o conheceram elogiam a sua coragem, o seu grande coração. O seu espírito cavalheiresco, e acrescentam: se os Portugueses são como o Cônsul Geral Mendes, são um povo de cavalheiros e de heróis”.

Heróis do mar, nobre povo!

Opinião – Mário Júlio: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével Dirigente associativo dedicado ao Teatro