Opinião: INFELIZMENTE, NÃO FICAMOS TODOS BEM… Más notícias: A FLEXIMOL VAI ENCERRAR!

Publicado em 06 Ago 2020
Comment: Off

Más notícias: a FLEXIMOL vai encerrar!

Em bom abono da verdade, foi declarada insolvente pelo Tribunal. No próximo dia nove de setembro, realizar-se-á uma Assembleia de Credores e podem decidir celebrar um acordo para a empresa continuar a funcionar…

A empresa que começou a laborar em 1981 na rua 1º de dezembro, e instalada na Zona Industrial do Cartaxo (Vila Chã de Ourique) desde meados da década, produz suspensões para veículos, fornecedora da Mitsubishi e da Toyota, viu os seus credores a fazerem entrar um pedido de insolvência, depois de um processo de lay-off, ultrapassado na década de 2010, e quando tudo parecia correr menos mal para os seus noventa e seis trabalhadores, eis que se começa a ouvir falar nesta empresa em 2019, pelos piores motivos.

Responsável por uma atividade de significativa importância para a economia local, quer pelo número de trabalhadores que emprega, quer pelo vasto número de colaboradores indiretos que prestam os mais variados serviços a esta empresa, a Fleximol habituou-nos a ver ali, uma unidade industrial de referência nacional para o setor da reparação de suspensões de veículos pesados.

De há um ano a esta parte, devido à falta de encomendas, a empresa esteve a produzir abaixo das suas capacidades e necessidades, acabando por pôr em causa a sua sustentabilidade, culminando na insolvência…

Sabemos que a administração pretende retomar a atividade, não sabemos em que moldes nem com que objetivos.

Também temos ouvido que a União Europeia e o Governo português, se têm redobrado ultimamente em promessas de ‘reindustrialização’, tendo o Governo até enviado para a Assembleia da República, um projeto de lei, com medidas de apoio à recuperação de empresas em situação de insolvência , mas que demonstrem viabilidade, com isenções de pagamento de juros em atraso relativos ao pagamento de Segurança Social e Impostos ao Estado…

Fica-nos a esperança!

Claro que nos preocupa muito a Fleximol: está aqui ao lado, temos vizinhos, amigos, familiares entre os seus trabalhadores, mas não podemos ficar indiferentes às constantes notícias de insolvências, falências e outras peripécias, que têm levado muitas “Fleximois” deste País, a colocar os seus cplaboradores em situação de desemprego, agravando os problemas sociais de que todos acabamos por ser vítimas: ora porque pagamos impostos solidários, ora porque não vivemos num país onde seja possível criar riqueza (a banca não consta nesta ligeira análise).

O que se passa aqui?

Há décadas atribuía-se a culpa à transferência das indústrias para economias mais evoluídas, sob o ponto de vista tecnológico.

Uns anos volvidos, responsabilizavam-se as deslocalizações para «países emergentes», que ofereciam mão de obra mais acessível, até por não respeitarem os direitos sociais mínimos.

Agora foi a pandemia que nos fez perder 16 e tal porcento do PIB…

Que raio! E os sucessivos Governos não são capazes de travar estes processos!

A quem favorecem estas situações?

Os beneficiados não têm rosto, não são identificáveis?

A tal «Justiça» não pode pôr cobro a todo este processo de empobrecimento?

Caramba, não sou populista, mas estou farto!

E esta reflexão lembrei-me do poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), em «O Guardador e Rebanhos»:

«Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro

E que ele me batesse e me estimasse…

Antes isso que ser o que atravessa a vida

Olhando para trás de si e tendo pena…»

Bem hajam e fiquem com SAÚDE!

Opinião: Mário Reis: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével
Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo
Dirigente associativo dedicado ao teatro

Noticias relacionadas