Opinião/2022 Joaquim Palmela Agosto 24, 2022 (Comments off) (261)

Opinião – Irritantemente certos!

Marcelo e Costa são dois homens que conhecemos bem. Da vida partidária ao comentário político, do exercício de cargos públicos a um ativismo cívico de toda uma vida. Sabem, como ninguém, interpretar a vontade popular, têm, como poucos, uma ideia de país e, seguros na sua convicção, têm caminhado no arame, sem rede e sem que os maiores dos abalos, tipo pandemia e guerra, os façam ceder aos interesses conjunturais ou a uma qualquer reação mais epidérmica.

Há, hoje, no comentário e na opinião publicada, na tal bolha mediática, um sentimento de frustração. Não os conseguem interpretar, essencialmente porque a atualidade, com a espuma dos dias, é uma cena que pouco lhes assiste. Costa e Marcelo não são imprevisíveis, muito menos populistas, são o garante do normal funcionamento das instituições, preservam a essência da Constituição da República Portuguesa. O que, claro está,  não os impede de algum jogo do gato do rato quando as circunstâncias assim o exigem, preferindo sempre a unidade do país, mesmo quando isso aparenta ser, no imediato, uma derrota pessoal.

Isto torna-os inatacáveis? Claro que não! Mas pode alguém, sentado à secretária, perceber a vida para além das estatísticas e das redes sociais? Andar por aí, no país, na europa e no mundo, não são passeios, são confrontos com quem concorda, com quem discorda e, até, com quem opta pela indiferença. Não perceber isto resulta numa verborreia diária, que segue toda e qualquer chalupice, a qual frustra quem o faz e conduz a uma deselegância argumentativa, que diz mais dos analistas do que sobre os analisados. Freud explicou de forma simples e eficaz o fenómeno.

São homens cheios de virtudes e carregados de defeitos, são eles que lideram, e bem, Portugal. Habituem-se!  A seguir a eles, tudo será diferente. Suspeito que possa vir a ser pior. Mas, até lá, teremos sempre tempo para aprender. Com analisados e analistas.

Opinião – Nuno Antão, autarca em Salvaterra de Magos desde 1993. Assessor de Comunicação «Comunicar é dividir alguma coisa com alguém».