Opinião: La Salette Marques O FUTURO É AGORA

(Publicado em: 29 Junho, 2020)

Mesmo que ainda em luta contra a Covid, Portugal dá passos no sentido da prevenção de uma crise anunciada, cuja extensão de danos não é conhecida, mas que se prevê grande. É por isso que está já aprovado um pacote de medidas de apoio, o Plano de Estabilização Económica e Social, com tradução num Orçamento do Estado Suplementar recentemente aprovado, crivado de números preocupantes. A começar pelas previsões de subida do desemprego, que afetará todo o país – já está a afetar.

O Concelho do Cartaxo não está imune a esta crise. Pelo contrário, está até bastante vulnerável, dada a fragilidade do seu tecido económico. Por essa razão, a autarquia seguiu o exemplo do Governo e está a construir o seu próprio Plano de Recuperação Económica e Social para o Concelho do Cartaxo.

Na última reunião da Assembleia Municipal foi conhecida a adesão do Município à moratória do Fundo de Apoio Municipal, que permitirá ao Executivo manter nos cofres da autarquia uma verba orçamentada de um milhão, 485 mil euros, verba essa que ficará assim disponível para voltar a ser incorporada no Orçamento, através de um processo de revisão focado nas necessidades imediatas do Concelho.

Ao Executivo, com maioria absoluta, importa saudar a iniciativa de recurso à moratória, mas também a forma como organizou o processo de construção deste plano. O Executivo da Câmara Municipal do Cartaxo decidiu encetar um processo de auscultação coletiva, que abrange todas as forças políticas, mas também os autarcas de freguesia, as forças vivas do Concelho e as organizações representativas da sociedade civil.

É desta forma, aberta, transparente e participada que deve ser construído o futuro. Trata-se do futuro imediato, sendo notória a inclinação do Município para, de forma muito pragmática e lúcida, investir na obra urgente, mas – acima dE tudo – investir em medidas de apoio social, que ajudem as faixas mais vulneráveis da população.

Esta é a resposta adequada, em registo de urgência, enquanto se prepara um futuro um pouco mais distante, o que se situará dentro do quadro 2021-2027. As negociações do próximo quadro Financeiro plurianual estão à porta e o que se ouve dizer é que vem aí bastante dinheiro de Bruxelas. O Concelho do Cartaxo tem, obviamente, de estar bem posicionado, a exemplo de toda a nossa região, tão carente de investimento público. Mas atenção: o investimento público de que necessitamos não se mede em metros cúbicos de betão ou em quilómetros de alcatrão. Vai medir-se também nos apoios que as próprias empresas conseguirem captar para a nossa região, investindo e financiando-se através dos fundos comunitários.

Aos autarcas pedem-se bons planos para reestruturar as regiões mais empobrecidas e mais carentes. Mas aos empresários pede-se audácia e coragem de investir no futuro. Braços para trabalhar não hão-de faltar, desde que não faltem as qualificações. Por isso, depois das autarquias e das empresas, os terceiros responsáveis pelo aproveitamento talvez da última oportunidade para refazer Portugal, somos nós, uma geração de pais que sabe que tem de apostar na educação dos filhos, e são vocês, os mais jovens, que devem dar tudo por tudo para obter uma boa qualificação profissional. Para os jovens, é tempo de terem direito a um país que lhes dê uma oportunidade de vida, sem a palavra crise sempre na ponta da língua e sem o desemprego a apontar-lhes a porta de saída.