Opinião/2022 Joaquim Palmela Janeiro 9, 2022 (Comments off) (462)

Opinião – La Salette Marques – Orçamento da Câmara do Cartaxo 2022

Depois de, no dia 26 de setembro, terem colocado um ponto final em 40 anos de governação socialista da Câmara Municipal, os eleitores do Cartaxo esperavam agora ver o resultado da sua decisão espelhado no Orçamento do Município para 2022. Até porque este orçamento é, na prática, o primeiro grande momento para que o PSD possa evidenciar aquilo que vai fazer diferente do PS e possa dar aos munícipes do Concelho do Cartaxo aquilo que prometeu: um futuro em que acreditar. Desse futuro fazem parte a implementação de estratégias de atração empresarial, para promover a criação de riqueza e a baixa do peso dos impostos e das taxas na carteira dos Munícipes. Estas são peças centrais da proposta política com que o PSD venceu as eleições.

O Orçamento apresenta as seguintes prioridades: promoção do equilíbrio económico-financeiro do município, racionalizando a despesa, principalmente nos gastos com pessoal; requalificação e dinamização dos espaços verdes; beneficiação da rede viária municipal, ainda esta ano; e realinhamento dos diferentes tarifários do Município, onde se enquadra a regulamentação do estacionamento tarifado.

Com estas prioridades elencadas, o que se apresentou um orçamento que defrauda as expectativas de quem votou na mudança:

Em primeiro lugar, pretendendo elaborar um orçamento verdadeiro, com os valores de receita tão próximos quanto possível da realidade, o PSD apresentou o Orçamento mais elevado dos últimos 4 anos.

É também o Orçamento que mais sobrecarrega as famílias prevendo a maior cobrança de impostos diretos dos últimos 5 anos, com um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior. Ou seja, os munícipes do Cartaxo podem preparar-se para pagar mais 400 mil euros de impostos.

As despesas com o pessoal crescem 1 milhão e 123 mil euros, o que corresponde a um aumento de despesa superior a 16,5%. É o maior valor dos últimos 5 anos gasto em despesas de pessoal.

Já o valor dedicado ao investimento baixa 1 milhão 255 mil euros em relação a 2021, representando apenas 14,5% do Orçamento, uma descida de 7 pontos percentuais.

Talvez o cidadão comum não se tenha apercebido do significado deste orçamento e talvez estes números não lhe digam nada…

Mas se lhe dissermos que vai pagar mais impostos, que os valores das taxas são os mesmos de 2021, que os cálculos dos valores das transferências para as freguesias não foram atualizados a tempo, que os investimentos previstos para o Concelho não estão visíveis, que não há um plano para apoiar os serviços de saúde e a população no combate à pandemia e que não foi enunciada nenhuma medida destinada a promover a atração de empresas para o concelho, então talvez perceba.

O Partido Socialista viabilizou o primeiro Orçamento deste novo Executivo, dando-lhe o espaço político de que necessita para governar, sem obstaculizar, afirmando-se disponível para cooperar. Tendo como objetivo continuar o caminho de desenvolvimento do concelho, que seguramente todas as forças políticas desejam, o PS deixou claro que não se envergonha do trabalho de saneamento e consolidação financeira feito nos últimos mandatos, à custa de um enorme aperto de cinto, que não foi fácil de aplicar nem de aceitar. É com base nesse trabalho difícil, mas indispensável, que hoje se podem fazer opções concretas, que tragam o Cartaxo e as freguesias para o caminho do crescimento. Por isso, o PS deixou igualmente claro que não se afasta das suas responsabilidades, permanecendo atento às opções económicas, financeiras e políticas que vão sendo adotadas, sempre com uma postura construtiva. Porque o Cartaxo merece sempre mais!

Opinião – La Salette Marques