Opinião: Mário Reis – De Eira, Frigideira… A Espaço de Jogo

A construção do estacionamento subterrâneo, que levou ao abatimento de árvores que alguns avós de muita gente viram plantar e que descaraterizou o centro da cidade, tem sido, naturalmente, objeto de muitas críticas e pertence ao anedotário cartaxeiro como a “eira”, a “frigideira” …

Porém, a necessidade infanto-juvenil transformou aquele espaço, plano e desprovido de obstáculos, num autêntico campo para patins, skates, bicicletas, trotinetas e afins.

Por ali rolam piruetas mais ou menos elaboradas e sei de algumas crianças que ali circularam pela primeira vez sem as “rodinhas” das suas bicicletas.

Não está mal, não: enquanto as escadas de acesso ao edifício da Câmara Municipal e os bancos de pedra se vão degradando, assistimos a um “assobiar para o lado” da parte de toda a gente, autoridades incluídas, enquanto jovens e crianças circulam pelo ladrilhado, desafiando as leis da gravidade (nem sempre) e converteram a «eira» no seu espaço de reunião, de confraternização, de desporto.

Até tenho visto alguns curiosos a apreciar as manobras mais radicais…

Viajando por aí, de visita à cidade algarvia de Lagos, estacionei o meu carro num parque de estacionamento quase subterrâneo. Igual a todos os parques de estacionamento subterrâneos.

Mas quando subo à superfície, deparo-me com um espaço de jogo estupendo: um campo de minigolfe!

Claro que ali reina o inglês e os promotores trataram logo de o designar «Pro Putting Garden», queira isso dizer lá o que quiser… que «foi desenvolvido para promover a competição e também a diversão».

De facto, do seu interior vinham risos, expressões de júbilo e de contrariedade… as coisas próprias de quem compete, nem que seja a feijões!

E o espaço, decorado a primor com ajardinados diversos, sebes, arruamentos empedrados, pavimentos de pedrinhas coloridas, árvores, outras sombras e estátuas ao estilo de Botero… e ainda uma pequena esplanada com serviço de bar.

Estava cheio de gente… e, na verdade, nem todos cumprindo o devido distanciamento social…

Era uma ideia: a nossa «eira», que jovens e crianças transformaram num espaço de treino e de demonstração de habilidades sobre rodinhas, podia ter alguns equipamentos que desafiassem a criatividade (ou, mais propriamente, a gravidade). Equipamentos que fossem amovíveis para permitir outras utilizações do espaço.

Bem hajam e fiquem com SAÚDE!

Opinião

Mário Reis – Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével
Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo e Dirigente associativo dedicado ao teatro

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