Opinião: Mário Reis – Freguesias

Publicado em 01 Out 2020
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A questão das Uniões de Freguesias continua na ordem do dia das forças políticas que entendem que o destino dos territórios deve ser decisão das suas populações.

Ocultar o processo, continua na ordem do dia das forças políticas que pretendem impor às populações um destino sobre o qual não se puderam expressar.

Pela parte que me toca, «dá-me igual»: ser “administrado” pelo Fernando ou pelo Paulo, é-me indiferente, se qualquer deles proceder em favor da freguesia, procurando o melhor para o conforto, saúde, educação e desenvolvimento da população.

O problema está na origem, isto é, na forma como foi feita a «agregação» das freguesias: cozinhadas nos corredores do poder, respondendo a interesses de que pessoalmente duvido, com base em argumentos falaciosos e/ou sem qualquer fundamento e, sobretudo, sem a auscultação dos principais visados.

Com efeito, os territórios estão lá: as pessoas continuam a viver nas suas casas, a passear nas suas ruas, a ir aos seus cafés, a frequentar as suas associações… mas numa freguesia, agora designada de «União», que não escolheram e em relação à qual nada as liga: nem a história, nem os costumes, nem as perspetivas.

As freguesias só não perderam identidade, para quem não vive o quotidiano das suas gentes, das suas organizações e iniciativas. Para mim, algumas freguesias foram realmente extintas!

No que ao Cartaxo interessa, trata-se de Vale da Pinta e da Ereira.

Como disse antes, para mim é igual, porém não consigo apagar da memória a sujeição do Governo da Nação a uma “Troica estrangeira” que impôs aos portugueses condições no mínimo originais para salvar o país da bancarrota, sem o apuramento das responsabilidades, penalizando-nos a todos com impostos e com decisões, como esta, que supostamente visavam a poupança de recursos financeiros, não pensando que mais do que o bolso cheio, mais interessam a cultura, os afetos e as redes.

(- Em que concelho é que eu já vi um procedimento parecido?)

Pretendeu a CDU, numa estratégia de pressão nacional, claro, na última reunião da Assembleia Municipal do Cartaxo «reclamar do Governo e da Assembleia da República, as medidas legislativas necessárias para reposição das freguesias extintas contra a vontade das populações e dos respetivos órgãos autárquicos». Porém, com os votos contra do Partido Socialista, salvo uma exceção, não colheu a maioria dos votos necessários para ser aprovada esta moção porque não expressava a auscultação das populações (por isso o meu sublinhado)…

Quando o clubismo está acima da razão, o responsável pela derrota é sempre o árbitro!

Sem oportunismos e, muito menos, sem “hipocrisias políticas”, pela parte que me toca, quando as populações das duas freguesias do concelho, Ereira e Vale da Pinta, tiverem oportunidade de expressar em referendo a sua vontade, e esta vontade tenha força de lei, este caso fica para mim encerrado.

É apenas como diz o ditado popular: «água mole em pedra dura… tanto bate até que fura».

Bem hajam e SAÚDE!

Opinião Mário Reis

Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével
Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo e Dirigente associativo dedicado ao teatro

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