Opinião – Mário Reis – Não morremos da doença, enlouquece-nos a Cura

Face à situação epidemiológica que se verifica no país, com mais de 240 casos por 100 mil habitantes, o Governo determinou alargar a 121 concelhos, onde o risco de contágio é mais elevado – o Cartaxo incluído – especiais medidas de restrição, só em síntese:

– O dever de permanência no domicílio;

– Encerramento até às 22 horas de todos os estabelecimentos de comércio a retalho e de prestação de serviços, bem como os que se encontrem em conjuntos comerciais;

– Os restaurantes encerram às 22 horas e 30 minutos, limitando-se a seis o número de pessoas em cada grupo;

– Proibida a realização de celebrações e de outros eventos que impliquem uma aglomeração de pessoas em número superior a cinco pessoas, salvo se pertencerem ao mesmo agregado familiar e determina-se a proibição da realização de feiras e mercados de levante, sendo permitidas as cerimónias religiosas e espetáculos de acordo com as regras da Direção Geral da Saúde;

– A obrigatoriedade de adoção do regime de teletrabalho, independentemente do vínculo laboral, sempre que as funções em causa o permitam, salvo impedimento do trabalhador.

É duro, mas manda o bom senso e a saúde pública que assim seja.

Ainda bem, que não voltámos às restrições impostas em março! Essas medidas é que foram desastrosas! Mas impunham-se…

Pelo Cartaxo… bem, por cá a coisa também está muito atrapalhada. E ainda deve ser pior do que em Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira:

Proibiu-se a tourada, eu até não vejo nisso mal nenhum, mas esta é a minha veia animalista a falar. Não se realiza a Feira dos Santos. Não ouvi nada sobre os mercados…

E encerrou-se o Centro Cultural! Lê-se numa publicação do Município:

«No âmbito da avaliação da situação epidemiológica no concelho, a Proteção Civil decidiu suspender a atividade do Centro Cultural do Cartaxo, durante duas semanas. As atividades e os espetáculos serão reagendados de acordo com a evolução epidemiológica.»

«A Câmara Municipal do Cartaxo informa que as atividades e os espetáculos do Centro Cultural do Cartaxo estão suspensos a partir de hoje, dia 23 de outubro e assim se manterão até dia 10 de novembro.»

«A decisão de suspender a atividade decorre da avaliação da situação epidemiológica no concelho – que é efetuada diariamente nas reuniões de Coordenação de Proteção Civil.»

«Na sequência das ações de desinfeção preventivas que a Câmara Municipal está a executar em espaços e equipamentos municipais, o Centro Cultural do Cartaxo vai ser higienizado e desinfetado durante o período de suspensão de atividade. As ações de desinfeção estão a ser executadas, neste e noutros equipamentos públicos, pelos Bombeiros Municipais do Cartaxo, com a coordenação do Serviço Municipal de Proteção Civil.»

«A suspensão da atividade do Centro Cultural será reavaliada no final deste período, de acordo com a evolução da situação epidemiológica.»

«Mais papistas que o papa», diria eu, presente que nem o Governo foi ao ponto de proibir os espetáculos… E no caso cartaxeiro, não havia norma que não fosse cumprida naquele espaço: com a gentileza que os carateriza, os funcionários do CCC tinham “mão de ferro” para as normas do plano de contingência…

Depois da euforia da estreia de «Fake», resta-me apenas uma pergunta: porquê duas semanas?

Nas ocasiões em que oiço tanta gente calada, lembro-me sempre do poema do pastor luterano alemão, Martin Niemoller, que Bertolt Brecht imortalizou e que foi adaptado a muitas situações onde a tirania impera(va):

«Primeiro levaram os comunistas,

Mas não falei, por não ser comunista.

Depois, perseguiram os judeus,

Nada disse então, por não ser judeu.

Em seguida, castigaram os sindicalistas

Decidi não falar, porque não sou sindicalista.

Mais tarde, foi a vez dos católicos,

Também me calei, por ser protestante.

Então, um dia, vieram buscar-me.

Nessa altura, já não restava nenhuma voz,

Que em meu nome se fizesse ouvir.»

Bem hajam e SAÚDE!

Opinião: Mário Reis: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével

Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo

Dirigente associativo dedicado ao teatro

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