Opinião: Mário Reis – NÃO PASSOU NA INSPEÇÃO…

Publicado em 17 Ago 2020
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Há uns dias, aí pelo Facebook ou outra rede qualquer, tivemos a notícia do encerramento da rua do Quintino para obras.

Exultámos de alegria, finalmente! Não voltaríamos a ver as portas envidraçadas do Centro Cultural todas sujas, malgrado as diligências das funcionárias, não voltaríamos a pisar poças lamacentas, não voltaríamos a tropeçar…

Ingénuos! Em cinco dias, com um fim de semana de permeio, querias um piso novo! Vai lá, vai!

«Mas ficou muito melhor!» Dirão os “amigos do peito”. «São só remendos.» Dirão os outros…

E o meu carro… não passou na inspeção periódica: que tinha não sei que folga nos rolamentos não sei de onde e mais os foles de não sei quê, cheios de uma coisa qualquer esquisita! Bolas!

– Ó vizinho, disse eu com aquele ar de condenado à forca, mas isso é só assim um barulhinho… mais quando viro para a direita (raios me partam!).

– Pois é, responde um jovem sorriso de “já me deram essa desculpa quinhentas vezes”, você vive no Cartaxo, não é? E está lá na Câmara, não é? Olhe, mande arranjar as ruas!

– Isto é que o gajo é parvo (esta parte fui eu só a pensar antes que o tipo me encontrasse mais uma data de folgas): não são as ruas é o PAVIMENTO!!

Lembro-me bem de o Município indemnizar cidadãos pelos estragos provocados nas suas viaturas por causa do mau estado das estradas, ruas e demais artérias: isto é, o problema é «pandémico», como se diz agora, ou será «congénito» (politicamente falando), como dizíamos há uns anitos?

O mau estado das ruas do Cartaxo, já não é digno sequer de comentários nas “redes sociais”, porém, foi merecedor de uma verba (geral) de cerca de 410 mil euros, em sede do Orçamento para 2020, englobando obras diversas com «passagens hidráulicas» (são pequenas pontes), beneficiação do acesso à ponte Rainha D. Amélia… ficando com 190 mil euros para a beneficiação da rede viária.

Não sei se é muito, se chega, ou se é pouco dinheiro. O que sei é que, até à data, quase nada!

Só falta saber o significado político disto tudo: os buracos da rua do Quintino, estão tapados!

É verdade: ninguém publicou fotografias e vídeos no Facebook… está tudo na praia…

Para o “poder”, 2,15% do orçamento para benefício das estruturas públicas rodoviárias, foi a parte cheia do copo, para o cidadão comum, trata-se de uma despesa adicional, no seu próprio orçamento familiar, de contas com as oficinas de reparação automóvel.

Para a segurança, em geral: o copo está seco!

Lembrei-me do poeta popular mais conhecido entre nós, António Aleixo:

«Vós que lá do vosso império

Prometeis um mundo novo.

Calai-vos, que pode o povo

Querer um mundo novo, a sério!»

Bem hajam e fiquem com SAÚDE!

Opinião

Mário Reis: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével

Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo

Dirigente associativo dedicado ao teatro

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