Opinião/2022 Joaquim Palmela Maio 9, 2022 (Comments off) (330)

Opinião – Metam-se a jeito!

Primeiro estranha-se, depois continuamos a estranhar. E, por mais que insistamos, não se entranha de forma alguma, jamais. E ainda bem. Que distorção de raciocínio é esta que leva uma parte significativa desta sociedade/comunidade em que vivemos a procurar as responsabilidades nas vítimas e não nos agressores?

Há uma invasão de um país? Tivessem tratado bem o invasor! Há assédio a mulheres? Não andassem de minissaia e de decote generoso! Não é a mesma coisa? É sim. Que parte da “sociedade” deixámos de perceber? Em que momento deixámos de valorizar esta associação entre pessoas com objetivos comuns? Qual dos pedaços do conceito de “comunidade” passámos a desprezar? Aquilo que nos é comum deixou de ser partilhado? Porquê?

Liberdade. Igualdade. Todas as liberdades, todas as igualdades, para todas e para todos, sem reservas, com deveres, claro está. E, entre todas e todos, o dever de protegermos as vítimas e de condenarmos os agressores. Somos nós, os filhos, os pais, os irmãos, os tios, os sobrinhos, os primos, os sogros e os genros delas que as temos de proteger! Como? “Metendo-nos a jeito” para que elas vivam livres e com tantas oportunidades quanto nós.

Obrigado a todas aquelas mulheres que tiveram a coragem de denunciar, de endireitar as costas, de erguer a cabeça e de seguir em frente, mesmo quando as forçavam a recuar. Obrigado por “se meterem a jeito” para serem exemplo para todas aquelas, e aqueles, que vos seguirão em casa, na academia, no emprego e na vida.

Opinião – Mário Nuno Antão