Opinião/2022 Joaquim Palmela Março 14, 2022 (Comments off) (200)

Opinião Nelson Lopes – O autarca e o tacho

Os autarcas que exercem funções a tempo inteiro são mal pagos. 

A afirmação gera polémica, mas arrisco tentar explicar o meu ponto de vista. 

Um Presidente de Câmara num concelho com 30 mil pessoas receber 2500 euros líquidos não é um bom salário se considerarmos a disponibilidade e a responsabilidade.  

Um autarca a tempo inteiro tem de estar disponível 24/24 horas todos os dias. Mesmo quando está de férias ou no aniversário da filha.  

Sou dos que defendo que um Presidente de Câmara num concelho médio deve ter um rendimento líquido equivalente a um deputado porque tem mais responsabilidade e maior exigência. 

Se a remuneração dos eleitos locais fosse justa, teríamos certamente mais qualidade nos autarcas e menos aproveitamento e oportunismo. 

Quem tem uma carreira consolidada, dificilmente vai abdicar para ser Presidente de Câmara ou vereador e sujeitar-se aos podres da política. 

A menos que o seu ego seja maior que a sua consciência e moral.

A valorização da função de eleito local é urgente. Sob pena de assistirmos à progressão da mediocridade em que temos indivíduos que não conseguem gerir a sua organização familiar ou os seus interesses pessoais, a governar com orçamentos superiores a 30 milhões de euros. 

Alguns dos que nos governam, se tivessem que gerir uma empresa era falência certa em poucos anos. 

Fazer flores com o dinheiro público é fácil.

Mais complicado é investir em projetos com retorno a médio e longo prazo.

Alguns autarcas são gestores de interesses, caso a caso, e sempre a pensar no resultado imediato e na dependência do voto.   

Estar Presidente ou vereador não é uma profissão. 

É uma missão para ser cumprida num espaço temporal até três mandatos. 

E depois voltar a cuidar da sua vida e agradecer a honra e a oportunidade de ter servido e deixado a sua marca na comunidade.

Nelson Lopes 

Opinião – 14 março 2022