Opinião/2022 Joaquim Palmela Abril 5, 2022 (Comments off) (327)

Opinião – Um Senhor Engenheiro que deixa obra feita

Esta semana foi notícia a aposentação de um gestor público.

José António Moura de Campos cessou funções após 40 anos de serviço público em funções que contribuíram para o desenvolvimento do território de Lisboa e Vale do Tejo.

Nos últimos 13 anos esteve na gestão da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo EIM, entidade gestora do abastecimento de água e saneamento que integra sete municípios: Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos e Torres Novas.

Moura de Campos liderou uma equipa de 180 colaboradores diretos que concretizou 140 Milhões de Euros de investimento nos sistemas de abastecimento de água e de saneamento que servem mais de 140.000 pessoas num território de 3240km2.

Todos os autarcas com quem trabalhou reconhecem o seu mérito no recrutamento e gestão de quadros, no planeamento e na execução de centenas de projetos.

Mas também na gestão de um projeto que foi pioneiro e inovador no país e que provou que juntos somos mais fortes. A água uniu sete concelhos com visão, coesão e solidariedade. Provou que é possível fazer mais com menos recursos quando todos remam no mesmo sentido.

Engenheiro Civil de formação, Moura de Campos fez a sua caminhada a pulso. Antes de trocar a Capital pelo Ribatejo, geriu centenas de milhões de euros de fundos comunitários e nacionais sem deixar uma única suspeita que fosse de irregularidade, benefício de alguém com prejuízo de outrem ou incompetência.

O Senhor Engenheiro Moura de Campos deixou a sua marca na região e no país.

Pelas suas qualidades profissionais, mas também pela sua forma de ser e de estar.

Com uma cultura de berço invulgar, uma educação refinada e um rigor absoluto na tomada de decisões. Foi um gestor que trabalhou com a porta do gabinete aberta, sem secretária pessoal, nem motorista. Tratou com a mesma educação o mais humilde dos colaboradores e o Presidente da República.  

Homem discreto, dispensou sempre os holofotes, as fotografias e as manchetes dos jornais, mas nos momentos de crise deu a cara e assumiu responsabilidades como gestor de topo numa empresa de capitais públicos.

Termino citando o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Almeirim e da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo CIMLT, Pedro Miguel Ribeiro:

“Nunca nenhum de nós é consensual. Uma coisa é certa. Se Portugal tivesse mais pessoas como o Eng. Moura de Campos seriamos outro País”.

Opinião – Nelson Lopes 02.04.2022