Opinião/2022 Ana Mesquita Fevereiro 10, 2022 (Comments off) (327)

Opinião – Nelson Silva Lopes – Criar filhos na casa dos avós

Criar filhos na casa dos avós Somos um Portugal envelhecido. Temos 182 velhos por cada 100 jovens. Nos últimos 20 anos o número de pessoas em idade da reforma subiu mais de 20%. É urgente investir na natalidade e na família. O Plano de Recuperação e Resiliência deve apostar na criação de condições para os jovens constituírem família e terem filhos. Há 64% de jovens entre os 18 e os 35 anos a viverem em casa dos pais. Alguns têm companheiro/a e filhos mas vivem em casa dos pais com tudo o que isto acarreta para todos os que partilham o agregado familiar.

A maioria dos lares não está preparada para acolher duas famílias. Como é que o Tiago, com 22 anos, e a Joana, de 21 anos, que têm um filho de dois anos, podem pagar uma renda de 550 €? 70 € de energia e gás 25 € de água 42,00 € de comunicações 100 € de combustível e despesas do carro com 20 anos que os pais compraram 175€ de infantário do Daniel. As despesas fixas somam mais de 1100 €. O rendimento da família, salário do Tiago e abono de família do filho não passa os 1000€. Não cobre as despesas fixas.

O Tiago, a mulher e o filho precisam de dinheiro para comer, vestir, calçar. Precisam de pagar cuidados de saúde e de comprar fraldas. Precisam sair de casa. Ir ao café, ao parque infantil, ao cinema, ao teatro porque a vida não é só trabalhar, comer e dormir. Esta família é um exemplo real de dezenas que conhecemos em situações idênticas ou mais graves. Investir no acesso à habitação com custos controlados, seja para aquisição ou arrendamento, deve ser uma prioridade imediata. São raras as famílias que podem pagar rendas aos valores atuais ou comprar casa própria com a exigência de uma entrada de 10%, fiadores e garantias como emprego seguro.

A Administração Central e os Municípios têm de pegar este desafio de caras sem protelar mais. Começando por criar verdadeiros incentivos à reabilitação dos fogos devolutos e abandonados. Adquirindo aos privados e aos bancos imóveis que estão desocupados e promover a sua venda ou arrendamento a preço socialmente justo. Todos ganham se levarmos as famílias jovens para os centros das cidades, mas também para as pequenas vilas e aldeias combatendo a desertificação e a morte da identidade dos territórios.

Opinião – Nelson Lopes 10 fevereiro 2022