Opinião/2022 Joaquim Palmela Março 22, 2022 (Comments off) (307)

Opinião – Nelson Silva Lopes – Tanto arroz e tão pouco Turismo

Terminou este domingo a Bolsa de Turismo de Lisboa, o maior evento de promoção da atratividade do nosso território para quem nos visita. 

Os concelhos da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo marcaram presença com stands bem conseguidos e dinâmicos. Os municípios convidaram os agentes locais que fizeram demonstração dos seus produtos endógenos, dos seus serviços e das suas marcas distintivas. 

Benavente, concelho onde vivo desde que nasci, focou a sua presença mais uma vez no Arroz Carolino. Foi mais arroz.  

Sou um consumidor frequente do arroz carolino da lezíria ribatejana pela sua qualidade, pela identidade com a região e porque é uma forma de apoiar os produtores locais. Aplaudo a promoção e valorização de todos os produtos locais de qualidade, mas o concelho de Benavente tem mais vida para lá do arroz. 

Na boa mesa temos o melhor cozido de carnes bravas que também acompanha com arroz e o torricado com bacalhau. 

Temos os vinhos, o azeite e o mel premiados em concursos nacionais e internacionais. 

Temos os mais prestigiados criadores e apresentadores do cavalo lusitano, uma dúzia de ganadarias que criam os melhores touros bravos para lide. 

Temos campinos, mourais, toureiros, cavaleiros, forcados e recortadores. 

Fadistas, bandas filarmónicas e ranchos folclóricos dos melhores. 

Temos igrejas que são monumentos e um Palácio do Infantado que pode ser espaço visitável de excelência.  

Mas quando convidamos o país a vir ao concelho de Benavente, só oferecemos arroz.  

São raros os restaurantes a fazer o cozido de carnes bravas, o torricado com bacalhau ou o arroz doce.  

Temos as igreja e espaços culturais fechados. Não temos oferta de camas em hotéis para as pessoas pernoitarem.  

Temos o espaço urbano de Benavente e Samora Correio esventrado que mais pareces territórios em guerra. 

Benavente é arroz e muito mais. Não podemos aceitar que se invistam milhões a promover um produto sem vantagens significativas para o concelho. 

O brutal investimento, que em breve atingirá um milhão de euros, só beneficiou a cadeia de produção e comercialização do arroz. 

Um quilo de arroz carolino da lezíria ribatejana custava este fim de semana “em promoção” 1,19 euros, quando antes do Festival do Arroz Carolino pagávamos 0,70 euros. São 49 cêntimos a mais. Um aumento de 60%. 

A marca está claramente valorizada e o investimento teve retorno mas para privados e um município tem o dever de estimular e apoiar as empresas sem as substituir sob pena de ser injusta e discriminadora por não aplicar o princípio da igualdade. 

O que dirão os produtores de tomate, de cavalos, de touros ou os empresários que aqui criam riqueza e valor em vários setores da indústria? 

Não faz sentido usar apenas o orçamento da entidade de Turismo e da Câmara Municipal de Benavente para promover negócios privados. 

O dinheiro do Município não é do Senhor Presidente ou dos vereadores. É de todos nós que suamos as estopinhas para pagar cargas de impostos sem vermos um retorno proporcional na melhoria da qualidade de vida. 

Opinião – Nelson Lopes 22 março 2022