Opinião/2022 Joaquim Palmela Março 23, 2022 (Comments off) (204)

Opinião – Nuno Mário Antão – 17.500 

A 24 de março atravessamos a ponte da liberdade. Finalmente teremos vivido mais tempo em democracia do que em ditadura. As diferenças são enormes e para melhor, muito melhor.

Há, no entanto, um incómodo nesta celebração: o mundo, em geral, e a europa, em particular, estão em sobressalto com a perspetiva de uma terceira guerra mundial e a possibilidade de uma repetição de Hiroshima e Nagasaki. É todo um estilo de vida cuja existência depende da existência de paz. Um estilo de vida que é posto em causa e que, agora (só agora), queremos salvar.

É fácil concluirmos que não soubemos ler os sinais, que facilitámos ao permitirmos o desenvolvimento das economias assentes em acordos de duvidoso mérito para ambas as partes. O que nos leva a supor que esta solidariedade com a Ucrânia é, também, uma tentativa vã de lavar as consciências e mandar embora a culpa. Há, como é óbvio, muita genuinidade na reação e disponibilidade da europa, mas há também o fardo muito pesado de termos gasto demasiado tempo a assobiar para o lado, fingindo que as bombas não rebentavam já na Crimeia, Donetsk e Luganks.

E, hoje, é ensurdecedor o silêncio do passado recente. Um passado tão silencioso quanto os mísseis hipersónicos ou os rostos vazios de quem foge. E tão ensurdecedor quanto a destruição de maternidades em Mariupol ou o choro de uma criança que chega sem compreender o motivo da partida. Um passado que grita no presente de todos e que, certamente, o futuro não vai conseguir calar.

Opinião – Nuno Mário Antão

Salvaterra de Magos, 23 de março de 2022

A ponte

Com Paul Eluard, para homenagearmos a liberdade que vivemos há 17.498 dias.

E pelo poder da palavra

Recomeço a minha vida

Nasci para te conhecer

Nasci para te nomear

Liberdade

(Paul Eluard)

O Muro

O enquadramento, o contexto e a relativização que apenas pretendem normalizar as ações dos agressores. Não há, neste conflito, anjos e demónios. Há, sim, uma imensidão de inocentes a sofrer. Putin é um criminoso de guerra. E, seja lá como for, o genocídio do povo ucraniano jamais poderá ser enquadrado, contextualizado, relativizado ou normalizado.