Opinião/2022 Joaquim Palmela Março 29, 2022 (Comments off) (159)

Opinião – O Mundo mudou e o Preço das Obras também!

Quando estão na ordem do dia notícias sobre concursos públicos que ficaram desertos, alguns dos quais no concelho do Cartaxo, é de saudar o arranque das obras de reabilitação dos pilares da Ponte Rainha Dona Amélia, que faz a ligação entre Porto de Muge e Muge, sobre o rio Tejo.

Em causa está um investimento de 1,7 milhões de euros para assegurar o reforço estrutural da travessia rodoviária entre os concelhos do Cartaxo e Salvaterra de Magos e uma obra que vai durar 270 dias.

A notícia foi dada pela Infraestruturas de Portugal, entidade que viu o primeiro concurso, no valor de um milhão de euros, ficar sem qualquer candidatura.

Esta é, sem dúvida uma boa notícia para toda a região, tendo em conta a importância estratégica desta infraestrutura para a economia dos dois concelhos que liga, mas também dos concelhos limítrofes e dos setores que mais a utilizam, a começar pela agricultura.

A possibilidade de encerrar a ponte por razões de segurança esteve em cima da mesa e foram incansáveis as diligências do anterior Executivo da Câmara Municipal junto do Governo para que a obra se concretizasse.  Mas apesar da vontade expressa através da abertura do concurso, a realidade foi ultrapassada por uma inusitada subida de preços de matérias que tornou impraticáveis todos valores alocados aos diversos concursos.

A revisão de um projeto e o lançamento de novo procedimento demora tempo demasiado longo quando se trata de urgência. Da mesma forma que eram urgentes as obras de reforço da segurança dos pilares da ponte, são urgentes as obras de requalificação da Escola Secundária do Cartaxo e de requalificação da Rua Serpa Pinto, também no Cartaxo.

Não adianta apontar dedos acusadores a anteriores mandatos por terem proposto valores de concurso demasiado baixos, quando é público e notório que o mal foi geral, havendo até autarquias que vão na quarta tentativa para encontrar um empreiteiro que aceite o valor disponível para fazer determinada obra.

A volatilidade dos preços das matérias primas apanhou todo o mercado de surpresa, particularmente por se tratar de um segmento habituado a alguma estabilidade, subitamente abalada por um arranque quase a pique, a par da escassez de mão-de-obra.

Esta circunstância, a par da pandemia, foi a tempestade perfeita para atrasar obras urgentes e obras que muito contribuiriam, no curto prazo, para o desenvolvimento das comunidades.

Resta agora ir refazendo contas e relançando procedimentos, esperando que haja candidaturas. Passámos da azáfama da construção para a quase estagnação na pior altura possível: temos um Plano de Recuperação e Resiliência para executar e pouco tempo para muita obra, a que se somam as obras que vêm com um ou dois anos atraso.

Também na construção e nas obras públicas se nota como o mundo mudou. Mudou e o caminho é em frente, porque o passado já foi julgado pelo eleitorado.

Opinião – La Salette Marques