Opinião/2022 Joaquim Palmela Maio 25, 2022 (Comments off) (235)

Opinião – O pior cargo da política portuguesa? Líder da oposição?

Está convencionado, pelo mainstream vigente, que o pior cargo da política portuguesa é o de líder de oposição. Será que ainda assim é?

Nestes loucos anos 20, gerir um país, uma região, um concelho, uma freguesia é uma tarefa simples? E gerir um território com uma pandemia, com uma seca, com uma crise económica e social, com uma guerra na Europa será sinónimo de estar num cargo confortável? Diria que não e que se exige muita paixão pelo serviço público, bem como um inesgotável sentido de missão.

Haverá então alguma dificuldade em juntar conhecimento e competência para construir um projeto político? Não, não há. Os líderes de oposição são triturados pela agenda mediática, pelas opiniões publicadas e públicas, pelas redes sociais… Sim, são, mas apenas porque ambicionam ser meros gestores de carreira e de calendário. Perdeu-se a ousadia de querer fazer, esqueceu-se a vontade mais bela de rasgar horizontes, abandonou-se o sonho, menosprezou-se a escolha. Porque, tal como tão bem definiu, esta semana, Mariana Vieira da Silva, “a eficácia da política não resulta de uma mera soma de avaliações, mas de escolhas”.

Não. Ser líder da oposição não é pior cargo da política portuguesa. É o mais simples. Mas, também, dos mais importantes. E, tantas vezes, o mais desvalorizado por quem o assume.

Opinião Nuno Mário Antão

Salvaterra de Magos, 24 de maio de 2022

A Ponte

Depois de três primeiras-ministras, três árbitras principais. A francesa Stéphanie Frappart, a ruandesa Salima Mukansanga e a japonesa Yoshimi Yamashita. Uma boa decisão, digna de registo, apesar do Quatar2022 estar manchado de sangue. Não esquecemos: estima-se que tenham sido mais de seis mil as mortes registadas na construção dos estádios.

O Muro

Varíola dos macacos*. O desejo de “vai ficar tudo bem” e a esperança de que já passámos o pior parecem continuar a ser apenas miragens, wishful thinkings. Os fenómenos extremos vieram para ficar e obrigam-nos a assumir comportamentos eficazes. Isto caso queiramos deixar mundo aos nossos filhos e netos.

*Se é cada vez menor o consenso científico sobre o comportamento dos vírus, se a globalização e a mobilidade alteram os padrões de análise, juntar-lhe uma qualquer teoria de conspiração, como aquela que alega um ataque biológico russo, ou dar voz a preconceitos, como aquele que preconiza que são os homossexuais os únicos responsáveis pela transmissão, é continuar a cavar o imenso buraco da estupidez. O buraco que nos conduziu aos mais loucos dos loucos anos 20 que a humanidade experienciou. Saibamos, portanto, usar as nossas forças para escalar até à superfície e não para continuar a mergulhar na escuridão.