Opinião/2022 A Redação Novembro 17, 2022 (Comments off) (229)

Opinião – Os Filhos do Poder e os outros 

Leio o despacho de contratação de um jovem de 21 anos para adjunto da Senhora Ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva. 

O recém-licenciado de 21 anos, sem experiência profissional nem de vida, será um dos quatro adjuntos da ministra que substitui o Primeiro Ministro nas suas ausências. 

Vai receber 3732,76 euros brutos, mais as mordomias até ao final do atual mandato do Governo.

Não conheço pessoalmente o Tiago Alberto Ramos Cunha, mas vejo que é licenciado em Direito na Universidade do Porto está atualmente a tirar o mestrado em Direito e Ciência Jurídica em Lisboa. 

Mas a condição diferenciadora para a sua nomeação é ser militante da JS e ter influência na máquina do PS onde cresceu. O apelido Cunha é mera coincidência, podia ser Costa, Vieira da Silva, César ou Medina. 

Tenho um familiar na mesma situação académica do Dr. Cunha. Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e Mestrando. Está a trabalhar como jurista numa empresa privada a 60 km de casa, auferindo ¼ do salário do especialista Tiago.   

A grande diferença entre os filhos de milhares de portugueses como eu, e o Dr. Tiago Cunha é que não são militantes da JS e os pais não têm amigos influentes no PS ou, tendo-os, recusam ir pelo caminho do amiguismo. 

O meu familiar para pagar o seu mestrado trabalhou na fábrica de tomate da Sugal e na loja da Wells. Com muito orgulho porque viveu o mundo real dos que não nascem com o rabo virado para a lua. 

O Dr. Cunha um dia vai ser deputado, secretário de Estado ou ministro e vai ter ainda mais poder para decidir sobre a vida dos licenciados sem partido deste país. Sem que alguma vez, o Dr. Tiago tenha sabido o que custa a vida para quem segue pelo caminho dos justos e do mérito. 

Desejo toda a sorte do mundo aos Tiagos e aos Cunhas deste e de outros governos que hão de vir porque o amiguismo, o nepotismo e o clientelismo não são exclusivos do PS.

Todavia, sejamos honestos, neste capítulo o PS dá 10 a 0 ao PSD. 

 Opinião – Nelson Lopes  – Jornalista desde 1990. Gestor de Comunicação