Opinião/2022 A Redação Setembro 20, 2022 (Comments off) (169)

Opinião – Os filhos do sistema e a vocação genética

Observo num universo de dezenas de funcionários de uma instituição pública da minha terra, seis são da mesma família. Pensei que seria uma vocação genética, mas rapidamente percebi que as funções que exercem nada tem a ver com a sua profissão anterior. Entraram todos a favor com cunhas do poder político local. 

Quem apoia a maioria comunista no concelho de Benavente tem a vida facilitada. Há sempre lugar para mais um com concurso feito à medida e provas de excelência com 20 valores. 

Existem ainda os cargos de nomeação por confiança política e a contratação ao abrigo da mobilidade. 

Tudo dentro da lei, mas com duvidosa ética porque nem sempre é acautelada a necessidade da contratação e o mérito dos candidatos.  

Não importa o que faziam, o que sabem fazer, o importante é o trabalhador garantir o vínculo de trabalho e a segurança de que todos precisamos. Para quem contrata ou ajuda a contratar o importante é garantir o voto com que se perpetua no poder. 

É caso para dizer que os eleitos da maioria comunista defendem a máxima do PS “a Família Primeiro”. Mas as famílias deles biológica, política e partidária. 

Não tenho qualquer dúvida, e seria hipócrita se omitisse, que esta situação de nepotismo, clientelismo, amiguismo e oportunismo também se verifica noutras latitudes e com outros partidos. 

Contudo, o poder absoluto durante mais de 40 anos, com oposições amigas e facilitadoras, criou um sentimento de impunidade.  

Quem favorece fá-lo na perspetiva de que está a fazer o bem, ignorando que sempre que alguém é beneficiado há outro que foi prejudicado. 

Mais grave é a perseguição que é feita a quem não alimenta o sistema.  

As instituições locais não têm lugar para desalinhados e até as empresas que mais contratam são influenciadas pelo poder absoluto. Um pedido de um presidente ou vereador é uma ordem seja qual for o currículo, a competência ou a experiência do trabalhador. 

Aqui o sol quando nasce não é para todos. 

Felizes dos que fazem o seu caminho com mérito e independência. 

A vida é mais pesada, mas a consciência segue leve que nem uma pena. 

Opinião – Nelson Lopes  – Jornalista desde 1990. Gestor de Comunicação