Opinião: praça de touros (assim mesmo: Mercado Municipal com letra maiúscula

(Publicado em: 18 Junho, 2020)

Mário Reis: Professor do 1º ciclo no Agrupamento D. Sancho I, Pontével

Membro da Assembleia Municipal do Cartaxo

Dirigente associativo dedicado ao teatro

COVIDAMENTO

Para hoje, quero refletir sobre o pandemónio em que a covid-19 nos fez, nos faz e, até me parece, que nos fará mergulhar a todos.

Antes de continuar, devo confessar-me um apaixonado por feiras, mercados e vendas… não para «filmar beijinhos em tempos de campanha eleitoral», mas porque sim.

Até acontece que já andei de feira em feira: vendia camisolas impressas… ou seriam imprimidas?

Bem, de há duas semanas a esta parte, assisti à «deslocalização» dos feirantes que ao sábado de manhã enchiam o estacionamento do Mercado Municipal, para o espaço ao redor da praça de touros (assim mesmo: Mercado Municipal com letra maiúscula; praça de touros com minúscula).

Andei por ali… de um lado e do outro, e o que senti foi: a ausência!

Vozes de por aí, afirmavam que os feirantes do mercado semanal iriam para o lado oposto ao Mercado, do que resta da estrada nacional número três. Com argumentos que traziam à liça o lixo, os sacos de plástico esvoaçantes, a conveniente distância social… raio da pandemia!

Porém, que quem espera sempre alcança, assisti no domingo à Feira das Velharias no seu espaço habitual: sem distância, sem máscara, sem álcool em gel… Assim somente: à volta do edifício do Mercado e pelos passeios da nacional três.

Acotovelavam-se os clientes, apregoavam os vendedores: o típico e saudoso hábito das vendas!

Falando com alguns feirantes do sábado de manhã, confirmaram-me ser este o espaço que fazia parte da sua pretensão.

Pelas constatações, se dúvidas havia, cai por terra desamparado o argumento de que não havia ali espaço para os feirantes do mercado semanal como estes exigiam, apoiados em grande maioria pelos vendedores da Praça e lojas das redondezas.

E parecendo-me óbvio que se é problema os feirantes sujarem à volta do edifício do Mercado, também será problema se sujarem à volta da praça de touros. E mesmo sendo certo que as limitações dos tempos da covid-19 impõem que não haja grandes ajuntamentos, o que pode desculpar algumas coisas, mas não tudo, nem a intenção anunciada de deslocalização permanente dos feirantes ao sábado, para o espaço à volta da praça de touros.

Parece-me a mim que está aqui a acontecer um caso claro de dois pesos, duas medidas.

E que os prejudicados da primeira decisão são tanto os feirantes do Mercado, como os pequenos vendedores que têm as suas lojas neste edifício. Porque quanto mais separados estiverem, menos hipóteses terão de pela união terem mais força e partilharem clientes.

Chega, que o “covidamento” já nos trouxe (a todos) prejuízos enormes, e se é certo que ainda não há vacina e o tratamento é pouco seguro, sejamos justos e uniformes nas nossas decisões.

Mas, antes que a pandemia afete a reflexão dos sempre atentos leitores, espero que não seja interpretado como um ataque aos feirantes das velharias: se o espaço para esta Feira está bem, então, podiam estar todos bem nesse mesmo espaço, cada um no seu acostumado dia e horário.